{"id":1110816,"date":"2020-05-20T02:52:15","date_gmt":"2020-05-20T01:52:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1110816"},"modified":"2020-05-20T02:52:15","modified_gmt":"2020-05-20T01:52:15","slug":"face-as-pandemias-estruturais-nada-e-mais-prejudicial-do-que-lavar-as-maos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/05\/face-as-pandemias-estruturais-nada-e-mais-prejudicial-do-que-lavar-as-maos\/","title":{"rendered":"Face \u00e0s pandemias estruturais, nada \u00e9 mais prejudicial do que &#8220;lavar as m\u00e3os&#8221;."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>&#8220;A mudan\u00e7a \u00e9 poss\u00edvel e depende da a\u00e7\u00e3o humana&#8221;<\/em><br \/>\n<em>Silo, Cartas aos meus amigos<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O protesto indignado de milh\u00f5es de seres humanos contra os abusos de um sistema desumano deu lugar, em poucas semanas, ao esvaziamento for\u00e7ado das ruas, face ao perigo de cont\u00e1gio em massa. A energ\u00e9tica exig\u00eancia social foi timidamente substitu\u00edda pelo ruido de tachos e panelas espor\u00e1dicos, reivindica\u00e7\u00f5es digitais, reuni\u00f5es online. O activismo foi dirigido para a solidariedade com as pessoas de maior risco e com os sectores mais penalizados pelo ressurgimento da pobreza e da fome.<\/p>\n<p>A pandemia exp\u00f4s, de forma irrefut\u00e1vel, o abismo para o qual o capitalismo, na sua variante financeira e neoliberal, conduziu a sociedade humana. Mas tamb\u00e9m funcionou no quadro da continuidade dos regimes golpistas, do adiamento das transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e do aumento do controlo social e da vigil\u00e2ncia electr\u00f3nica.<\/p>\n<p>Enquanto uma f\u00fanebre contagem de mortes\u00a0 e de doentes pelo COVID-19 &#8211; cujos epicentros s\u00e3o os centros do poder &#8211; enche as primeiras p\u00e1ginas dos media mundiais, o mesmo n\u00e3o acontece com as pragas estruturais, pelas quais milh\u00f5es de pessoas sofrem e morrem diariamente nas mais amplas margens do mundo.<\/p>\n<h4>As pragas actuais e futuras<\/h4>\n<p>Se, por um momento, se levantar o v\u00e9u da necessidade de evitar uma enorme trag\u00e9dia sanit\u00e1ria e virmos em que situa\u00e7\u00e3o se encontra a humanidade, torna-se mais do que claro quais as &#8220;outras&#8221; medidas de preven\u00e7\u00e3o e cuidado que devem ser tomadas, com a mesma urg\u00eancia.<\/p>\n<p>Mesmo quando a desglose leva ao detalhe, a rela\u00e7\u00e3o \u00edntima que conjuga as pandemias sociais da actualidade revela uma estrutura sist\u00e9mica a ser ultrapassada. \u00c9 o sistema que j\u00e1 n\u00e3o serve.<\/p>\n<h4>Fome, mis\u00e9ria, desigualdade<\/h4>\n<p>Embora a liga\u00e7\u00e3o progressiva entre as realidades de todos os povos do mundo e o acordo internacional baseado em objectivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel (SDA) tenha conseguido reduzir substancialmente alguns indicadores, as estat\u00edsticas actuais continuam a ser devastadoras.<\/p>\n<p>A n\u00edvel mundial, uma em cada dez pessoas est\u00e1 na mis\u00e9ria total, enquanto duas em cada dez se encontram abaixo do limiar de pobreza. Evidentemente, com enormes diferen\u00e7as entre as regi\u00f5es. Enquanto 43 em cada 100 seres humanos que vivem em \u00c1frica Subsariana, subsistem mal, com menos de 2 unidades de moeda norte-americana -infelizmente ainda o padr\u00e3o nas estat\u00edsticas internacionais &#8211; nos pa\u00edses da OCDE esta propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de apenas 0,7 por 100.*<\/p>\n<p>Um quarto da humanidade trabalha por tr\u00eas moedas por dia e quarenta e duas em cada 100 pessoas carecem de protec\u00e7\u00e3o social (cobertura de doen\u00e7a, pens\u00e3o, direitos a f\u00e9rias, etc.).<\/p>\n<p>De acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio da FAO (2019)**, a fome voltou a aumentar e continua a atingir mais de 820 milh\u00f5es de pessoas, enquanto um n\u00famero pr\u00f3ximo dos 2 mil milh\u00f5es de pessoas se encontra em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>A maioria dos pa\u00edses exportadores de alimentos v\u00ea a fome e a inseguran\u00e7a alimentar crescer nas suas pr\u00f3prias popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, diz o Global Inequality Report 2018, 1% dos maiores rendimentos globais receberam o dobro do rendimento dos 50% mais pobres. Isto deve-se principalmente \u00e0 transfer\u00eancia de riqueza do dom\u00ednio p\u00fablico (estatal) para o dom\u00ednio privado operado pela onda neoliberal e pela mega escala especulativa que domina agora a economia mundial.<\/p>\n<p>Ambos, juntamente com a evas\u00e3o de capitais para para\u00edsos fiscais, limitam a capacidade dos Estados para nivelar a situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f3mica das suas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No Ocidente, o poder econ\u00f3mico \u00e9 acumulado em fundos de investimento, que controlam os grandes bancos e milhares de empresas multinacionais. O crescimento deslumbrante da China (sem d\u00favida o ponto mais din\u00e2mico de todo o Leste em termos econ\u00f3micos, mas de forma alguma o \u00fanico) permitiu a ades\u00e3o de 641 milh\u00f5es de pessoas \u00e0 classe m\u00e9dia (e ao mercado de consumo global), colaborando com a diminui\u00e7\u00e3o da desigualdade global, mas ao mesmo tempo aumentando a classe milion\u00e1ria. A China tem agora 4,4 milh\u00f5es de pessoas com uma riqueza superior a um milh\u00e3o de d\u00f3lares***.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de fome, mis\u00e9ria e desigualdade ser\u00e1 acentuada pela retrac\u00e7\u00e3o da economia mundial provocada pela crise sist\u00e9mica e pelo s\u00fabito aparecimento do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Segundo <a href=\"https:\/\/www.oxfamamerica.org\/press\/half-billion-people-could-be-pushed-poverty-covid-19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estimativas<\/a> da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental OXFAM, cerca de 500 milh\u00f5es de pessoas poderiam ser atiradas para a pobreza. Por seu lado, a OIT afirma no seu recente <a href=\"https:\/\/www.ilo.org\/wcmsp5\/groups\/public\/---dgreports\/---dcomm\/documents\/briefingnote\/wcms_740981.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">relat\u00f3rio<\/a> que &#8220;as medidas de paralisia total ou parcial afectam j\u00e1 cerca de 2,7 mil milh\u00f5es de trabalhadores, ou seja, cerca de 81% da m\u00e3o-de-obra mundial. S\u00f3 no segundo trimestre de 2020, perder-se-iam 195 milh\u00f5es de empregos a tempo inteiro, enquanto a pandemia viral &#8220;afecta quase 1,6 mil milh\u00f5es de trabalhadores na economia informal e provoca um decl\u00ednio de 60% nos rendimentos&#8221;, afirma a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>Armamento e guerra<\/h4>\n<p>Ao mesmo tempo, o instituto sueco SIPRI informa que, em 2019, as despesas globais com armamento atingiram um <a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/es\/2020\/05\/numeros-del-sipri-instituto-internacional-de-estudios-para-la-paz-de-estocolmo-nuevo-nivel-record-de-gasto-militar-mundial-la-carrera-armamentista-continua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">novo n\u00edvel recorde com um crescimento de 3,6% em compara\u00e7\u00e3o com 2018<\/a>, dando continuidade \u00e0 tend\u00eancia ascendente dos \u00faltimos anos. As despesas de guerra totalizaram 1917 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares ou 60800 d\u00f3lares por segundo.<\/p>\n<p>\u00c0 cabe\u00e7a deste disparate, demonstrado ao longo de d\u00e9cadas, os Estados Unidos concentram 38%, enquanto a China gasta 14% do total. Em 2018, a guerra prosseguiu em 27 conflitos, a maioria dos quais na \u00c1frica Subsariana (11), no M\u00e9dio Oriente (7) e no Sudeste Asi\u00e1tico (7), precisamente nas regi\u00f5es onde a mis\u00e9ria e a desigualdade s\u00e3o frequentes.<\/p>\n<p>Trinta e seis na\u00e7\u00f5es j\u00e1 ratificaram o Tratado sobre a Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares, assinado em 2017 (dos cinquenta necess\u00e1rios para a sua entrada em vigor), enquanto os Estados Unidos e a R\u00fassia, que possuem 90% do arsenal nuclear, continuam com &#8220;programas extensos e dispendiosos para substituir e modernizar as suas ogivas nucleares, sistemas de lan\u00e7amento a\u00e9reo e bal\u00edstico e instala\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de armas nucleares&#8221; &#8211; como afirma o SIPRI. A contradi\u00e7\u00e3o de tentar travar a cat\u00e1strofe sanit\u00e1ria, enquanto a humanidade continua amea\u00e7ada de destrui\u00e7\u00e3o total pela possibilidade de uma guerra termonuclear terminal, transforma a actual governa\u00e7\u00e3o mundial num perigoso bando de criminosos.<\/p>\n<h4>Viol\u00eancia, exclus\u00f5es, discrimina\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>As v\u00e1rias formas de viol\u00eancia continuam a atormentar a sociedade humana.<\/p>\n<p>Aos avan\u00e7os impar\u00e1veis do g\u00e9nero feminino (aumento da idade matrimonial, maior reconhecimento social e legal das diversas formas de casal, diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de filhos, maior liberdade de escolha no que respeita \u00e0 maternidade &#8211; se ter, quando e quantos filhos &#8211; maior autonomia econ\u00f3mica, paridade educativa, entre outros indicadores) o sistema patriarcal reage com m\u00faltiplas formas de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>De homic\u00eddio, viola\u00e7\u00e3o, ass\u00e9dio, explora\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, exclus\u00e3o escolar e laboral, segrega\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es, falta de reconhecimento dos trabalhos de assist\u00eancia, as mulheres continuam a enfrentar no s\u00e9culo XXI um cen\u00e1rio di\u00e1rio cheio de agress\u00f5es.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m das pandemias de s\u00e9culos de exclus\u00e3o social e agress\u00e3o contra as mulheres, a discrimina\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o \u00e9tnicas, religiosas e geracionais, o discurso do \u00f3dio, a repress\u00e3o e a manipula\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social continuam a constituir um repert\u00f3rio repugnante de viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos.<\/p>\n<h4>A opress\u00e3o pol\u00edtica e cultural do neocolonialismo<\/h4>\n<p>\u00c0s exig\u00eancias de crescente autonomia e multilateralismo, as pot\u00eancias imperialistas que t\u00eam governado o mundo nos \u00faltimos cinco s\u00e9culos , op\u00f5em-se com o seu apetite neocolonial.<\/p>\n<p>Os bra\u00e7os do imp\u00e9rio brit\u00e2nico alargado e uma Europa militarmente ocupada est\u00e3o a unir for\u00e7as numa tentativa de reconquistar o que lhes deu uma posi\u00e7\u00e3o vantajosa: esgotar impiedosamente a riqueza dos povos do Sul global.<\/p>\n<p>No entanto, ap\u00f3s a sua independ\u00eancia e as guerras intermin\u00e1veis promovidas pelo Norte, os povos em conflito aumentaram o seu poder e apelam a uma reformula\u00e7\u00e3o do status quo global.<\/p>\n<p>No equil\u00edbrio do velho sistema mundial, o desafio \u00e9 forte e permanente: o Sul exige uma repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e uma nivela\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida com o Norte, enquanto que o Leste inclina a balan\u00e7a de um planeta dominado pelo Ocidente.<\/p>\n<p>O conflito tem lugar nos dom\u00ednios econ\u00f3mico, cient\u00edfico e militar, mas \u00e9 muito mais profundo. Trata-se de quebrar a hegemonia cultural que for\u00e7ou as maiorias do mundo a tornarem-se estranhas a si pr\u00f3prias.<\/p>\n<h4>Ditadura Corporativa de Tecnologia<\/h4>\n<p>O aparecimento do coronav\u00edrus veio evidenciar e acelerar a tend\u00eancia para a depend\u00eancia da alta tecnologia. Esta tecnologia est\u00e1 concentrada em alguns clusters (grupos) que absorvem quaisquer tentativas alternativas e exercem um poder decisivo sobre as interac\u00e7\u00f5es humanas no dom\u00ednio virtual.<\/p>\n<p>As fontes de subsist\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, comunica\u00e7\u00f5es, autodetermina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, entre muitos outros dom\u00ednios, est\u00e3o profundamente impregnadas pelo poder das empresas digitais.<\/p>\n<p>O que poderia constituir um enorme avan\u00e7o para a liberta\u00e7\u00e3o humana, constitui hoje uma nova escravid\u00e3o, uma imposi\u00e7\u00e3o de plataformas e arquitecturas de comunica\u00e7\u00e3o que, na sua concep\u00e7\u00e3o e modo de funcionamento, condicionam a vida a partir de um prop\u00f3sito de lucro sem fim.<\/p>\n<p>A modifica\u00e7\u00e3o desta tend\u00eancia que se dirige para uma tecno-ditadura empresarial, implicar\u00e1 a revers\u00e3o da esfera digital do dom\u00ednio privado para o direito p\u00fablico, comum e para o direito universal, para que o conhecimento, a acumula\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7o humano durante mil\u00e9nios, retorne para o benef\u00edcio de todos.<\/p>\n<h4>Deteriora\u00e7\u00e3o do meio ambiente<\/h4>\n<p>A actual diminui\u00e7\u00e3o do consumo e da mobilidade gerada pela pandemia de Covid-19 proporcionou um pouco de oxyg\u00e9nio No entanto, o abutre insaci\u00e1vel do capital regressar\u00e1 \u00e0 sua presa assim que a fase de transi\u00e7\u00e3o da prioridade pand\u00e9mica tiver terminado. O &#8220;crescimento&#8221; econ\u00f3mico e a distribui\u00e7\u00e3o desigual s\u00e3o a ess\u00eancia do sistema e s\u00e3o tamb\u00e9m os principais factores de destrui\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o do espa\u00e7o rural e silvestre, a expuls\u00e3o de assentamentos humanos, a explora\u00e7\u00e3o irracional de recursos escassos e n\u00e3o renov\u00e1veis, a polui\u00e7\u00e3o do ar e da \u00e1gua, a degrada\u00e7\u00e3o dos solos, a aniquila\u00e7\u00e3o progressiva das esp\u00e9cies animais e o consumismo absurdo s\u00e3o fen\u00f3menos que n\u00e3o desaparecer\u00e3o com a pandemia, mas sim com a transforma\u00e7\u00e3o radical do modo de vida e da organiza\u00e7\u00e3o social, hoje sufocada pelo capitalismo e por um sistema de valores ancorado na apropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>O que \u00e9 que vamos fazer?<\/h4>\n<p>Os fen\u00f3menos humanos n\u00e3o s\u00e3o mec\u00e2nicos, mas sim intencionais. Mesmo quando a hist\u00f3ria mostra uma forma espiral em que cada emerg\u00eancia e desenvolvimento corresponde a um decl\u00ednio posterior e \u00e0 emerg\u00eancia de um ciclo de qualidade superior, mesmo quando a renova\u00e7\u00e3o geracional traz continuamente novos elementos a uma paisagem humana estabelecida mas ao mesmo tempo din\u00e2mica, os acontecimentos entre estas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o produzidos por inten\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>Por outro lado, cada \u00e9poca tem as suas nuances e os seus momentos, e compreend\u00ea-los e aproveit\u00e1-los para a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 tarefa dos grupos humanos.<\/p>\n<p>A humanidade encontra-se num momento cr\u00edtico, sem d\u00favida preexistente \u00e0 expans\u00e3o da epidemia do coronav\u00edrus. Uma epidemia que atacou com maior intensidade as na\u00e7\u00f5es mais poderosas e as metr\u00f3poles mais populosas. Esta crise implica o fracasso da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal e um ponto de viragem para o sistema como um todo, mas tamb\u00e9m a incerteza, a reflex\u00e3o e a possibilidade de um novo momento revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<h4>As Novas Revolu\u00e7\u00f5es<\/h4>\n<p>No livro Cartas aos Meus Amigos, Silo aponta &#8220;Temos de distinguir entre processo revolucion\u00e1rio e direc\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria&#8221;. Desde a nossa forma de ver, o processo revolucion\u00e1rio \u00e9 entendido como um conjunto de condi\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas geradas no desenvolvimento do sistema&#8221; e depois &#8220;A dire\u00e7\u00e3o em jogo depende da inten\u00e7\u00e3o humana e escapa \u00e0 determina\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es que d\u00e3o origem ao sistema&#8221;.****<\/p>\n<p>As\u00a0 condi\u00e7\u00f5es propicias s\u00e3o incontest\u00e1veis.\u00a0 Resta saber quais os desafios que as inten\u00e7\u00f5es e as tentativas de transforma\u00e7\u00e3o enfrentam.<\/p>\n<p>Entre os paradoxos a serem resolvidos pelas novas revolu\u00e7\u00f5es est\u00e1 a necessidade de unidade das for\u00e7as evolutivas face ao evidente momento de ruptura dos la\u00e7os sociais mediados por uma desestrutura\u00e7\u00e3o geral. Esta desestrutura\u00e7\u00e3o promove a falta de coes\u00e3o e corr\u00f3i as antigas formas organizacionais de acumula\u00e7\u00e3o e de ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mesmo acontece com a exig\u00eancia de maior horizontalidade e paridade nas decis\u00f5es &#8211; caracter\u00edsticas de um vasto leque de novas gera\u00e7\u00f5es e de um saud\u00e1vel precedente para uma futura democracia real &#8211; face \u00e0 necessidade urgente de orienta\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o que os grupos humanos sentem face a um futuro incerto. \u00c0 luz destas premissas aparentemente presentes, \u00e9 necess\u00e1rio analisar o papel das lideran\u00e7as entendidas como concentradores das necessidades e aspira\u00e7\u00f5es dos povos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo o que acontece com a ocupa\u00e7\u00e3o da Institucionalidade vigente, por parte dos poderes reais, como forma de &#8220;tomar o poder&#8221;, deixa-as numa situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia, esvaziada e consumida. Neste contexto, surge uma enorme indigna\u00e7\u00e3o social, cuja falta de novas formas a condena finalmente a ser canalizada &#8211; e desvalorizada &#8211; no quadro do velho esquema.<\/p>\n<p>Por outro lado, a imin\u00eancia de um novo ciclo da hist\u00f3ria enfrenta a desintegra\u00e7\u00e3o do tecido social e a desorienta\u00e7\u00e3o devido \u00e0s r\u00e1pidas mudan\u00e7as em que a sociedade humana est\u00e1 mergulhada, que se prestam a ser um terreno f\u00e9rtil para correntes regressivas, baseadas no abandono, na exclus\u00e3o e na falta de sentido vivido por milh\u00f5es de seres humanos.<\/p>\n<p>Os acontecimentos de 2011, em que as multid\u00f5es avan\u00e7aram numa corrente exigindo novas condi\u00e7\u00f5es de vida em lugares como Tun\u00edsia, Espanha, Estados Unidos, Egipto ou Turquia, as manifesta\u00e7\u00f5es feministas maci\u00e7as, a multiplica\u00e7\u00e3o de greves e protestos planet\u00e1rios por ac\u00e7\u00f5es en\u00e9rgicas contra a deteriora\u00e7\u00e3o ambiental t\u00eam sido sinais inequ\u00edvocos de um enfado mundializado e simult\u00e2neo.<\/p>\n<p>Enquanto estas ondas gigantescas surgiram de ac\u00e7\u00f5es altamente localizadas mas simbolicamente poderosas, os processos pol\u00edticos nacionais de mudan\u00e7a serviram anteriormente como far\u00f3is que iluminaram o caminho para os outros. Estas experi\u00eancias pr\u00f3ximas permitem-nos inferir que os efeitos de demonstra\u00e7\u00e3o, que os gestos e transforma\u00e7\u00f5es que se operam num ponto t\u00eam o potencial de envolver o resto.<\/p>\n<p>Haver\u00e1 um poderoso n\u00facleo de ideias e ac\u00e7\u00f5es que possa agir de forma a concentrar as melhores inten\u00e7\u00f5es sem inibir a vitalidade da diversidade e, ao mesmo tempo, produzir efeitos de demonstra\u00e7\u00e3o indispens\u00e1veis para orientar as ac\u00e7\u00f5es humanas de forma planet\u00e1ria?<\/p>\n<p>Talvez o Humanismo, no seu sentido mais lato, pudesse ser chamado a construir pontes e a agir como um foco convergente, nas ideias e na ac\u00e7\u00e3o. Um humanismo que abra\u00e7a necessidades objectivas e subjectivas, um humanismo que coloca o desenvolvimento humano como valor e preocupa\u00e7\u00e3o central, um humanismo que n\u00e3o op\u00f5e a aspira\u00e7\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o social \u00e0 busca existencial e espiritual, mas que as combina.<\/p>\n<p>Depois de termos atravessado este per\u00edodo partilhado de cuidados e distanciamento social, iremos sem d\u00favida continuar com a protec\u00e7\u00e3o colectiva. No entanto, para ultrapassar as pandemias estruturais, ser\u00e1 essencial n\u00e3o ignorar os graves problemas que sofre a Comunidade humana. Por outras palavras, n\u00e3o &#8220;lavar as m\u00e3os&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p>* Relat\u00f3rio do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento &#8220;Covid-19 e Desenvolvimento Humano&#8221; https:\/\/datastudio.google.com\/reporting\/abd4128c-7d8d-4411-b49a-ac04ab074e69\/page\/CJbLB<br \/>\n** O Estado da Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional no Mundo em 2019 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO)<br \/>\n*** De acordo com o Global Wealth Report 2019 do Credit Suisse. https:\/\/www.credit-suisse.com\/about-us\/en\/reports-research\/global-wealth-report.html<br \/>\n**** Silo. Cartas aos meus amigos. Obras Completas Vol. I. Editorial Plaza y Vald\u00e9s (1994). 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