{"id":1059126,"date":"2020-03-15T19:39:20","date_gmt":"2020-03-15T19:39:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1059126"},"modified":"2020-04-29T11:28:14","modified_gmt":"2020-04-29T10:28:14","slug":"escritores-indigenas-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/03\/escritores-indigenas-brasileiros\/","title":{"rendered":"Escritores ind\u00edgenas brasileiros"},"content":{"rendered":"<p>Sinto a obriga\u00e7\u00e3o moral de lembrar um texto que tem sido fundamental para mim em fun\u00e7\u00e3o do envolvimento pessoal com a educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena. Refiro-me ao livro de Daniel Matenho Cabixi, ind\u00edgena pareci, cujo t\u00edtulo \u00e9 A quest\u00e3o ind\u00edgena. Publicado em Cuiab\u00e1 em 1984 pelo CDTI \u2013 Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Terra e \u00cdndio, o texto registra a reflex\u00e3o do pensador pareci especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 passagem da \u201ceduca\u00e7\u00e3o para o \u00edndio\u201d, at\u00e9 ent\u00e3o imposta por estado e Igreja, \u00e0 \u201ceduca\u00e7\u00e3o ind\u00edgena\u201d, pensada e gerenciada pelos pr\u00f3prios ind\u00edgenas. Esse ensaio muito tem influenciado indigenistas e leis da \u00e9poca, contribuindo grandemente para que a transforma\u00e7\u00e3o se tornasse realidade. Daniel Matenho Cabixi foi um dos intelectuais e pensadores que anteciparam o movimento dos escritores ind\u00edgenas brasileiros contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>At\u00e9 a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 as escolas para os \u00edndios deviam servir para \u201cacultur\u00e1-los\u201d; quer dizer que os ind\u00edgenas deviam deixar de pertencer a povos espec\u00edficos para se tornarem indiv\u00edduos marginalizados e explorados dentro da sociedade nacional, sem mais nenhum direito sobre suas terras ancestrais. Nestas escolas era at\u00e9 proibido o uso das l\u00ednguas maternas. As reivindica\u00e7\u00f5es dos l\u00edderes e sua participa\u00e7\u00e3o ativa e criativa na elabora\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o\u00a0\u00a0 determinaram que a educa\u00e7\u00e3o para o \u00edndio se tornasse educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena, pensada e gerenciada por eles mesmo a partir de conte\u00fados oriundos de suas culturas diferenciadas. Nos anos oitenta os professores ind\u00edgenas, assessorados por suas comunidades, come\u00e7am a produzir\u00a0cartilhas e livros de leituras em suas l\u00ednguas maternas e com ilustra\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e art\u00edsticas. Servindo-se da escola o homem branco queria destruir as etnias brasileiras, as quais, por\u00e9m, conquistaram a escrita; atrav\u00e9s tamb\u00e9m da literatura hoje em dia elas afirmam identidades e reivindicam direitos, deixando bem claro que escrever \u00e9 resistir.<\/p>\n<p>Entrei no facebook em fevereiro de 2013. Logo me deparei com a entrevista feita no m\u00eas de janeiro a Daniel Munduruku por Fernanda Faustino para a Global Editora. A not\u00edcia que Daniel fosse escritor ind\u00edgena de etnia munduruku chamou minha aten\u00e7\u00e3o. Achei profundas e originais suas palavras; elas se acomodaram dentro de mim at\u00e9 que, um belo dia, exigiram ser traduzidas e divulgadas. A vers\u00e3o em italiano da entrevista foi publicada em\u00a0outubro de 2013, no n\u00famero 53 da\u00a0Sagarana, revista de literatura fundada na It\u00e1lia pelo escritor carioca J\u00falio Monteiro Martins. A partir desta entrevista, passei a\u00a0acompanhar o movimento dos escritores ind\u00edgenas brasileiros, que Daniel tem fomentado sendo o idealizador de um projeto coletivo que visa encorajar autores ind\u00edgenas a escreverem suas hist\u00f3rias e as hist\u00f3rias de seus povos. Gra\u00e7as \u00e0 clarivid\u00eancia do Daniel, hoje em dia muitos e de v\u00e1rias etnias s\u00e3o os ind\u00edgenas que t\u00eam se afirmado como escritores.<\/p>\n<div id=\"attachment_1059128\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1059128\" class=\"size-large wp-image-1059128\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Daniel-Munduruku-1-720x478.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"478\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Daniel-Munduruku-1.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Daniel-Munduruku-1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1059128\" class=\"wp-caption-text\">Daniel Munduruku<\/p><\/div>\n<p>Minha forma\u00e7\u00e3o pessoal liga a palavra \u201cleitura\u201d diretamente ao ato de ler textos escritos. Quando os autores ind\u00edgenas falam de \u201cleitura\u201d, eles est\u00e3o falando da observa\u00e7\u00e3o dos acontecimentos e da natureza. Em outras palavras, eles nos dizem que, para chegarmos a interpretar o mundo com nossa pr\u00f3pria cabe\u00e7a, devemos observar com curiosidade a natureza e interpretar as mensagens que a vida nos manda. \u00c9 a observa\u00e7\u00e3o e a reflex\u00e3o que nos formam, que transformam os conhecimentos em sabedoria. Nesta diferente maneira de encarar a exist\u00eancia reside a qualidade da literatura ind\u00edgena; literatura preciosa porque traz de volta aquilo que na literatura cl\u00e1ssica, ocidental, se perdeu. Os escritores ind\u00edgenas falam de ra\u00edzes, de ancestralidade, da rela\u00e7\u00e3o sagrada com a natureza, do respeito para com os anci\u00f5es e suas experi\u00eancias, das l\u00ednguas, culturas, tradi\u00e7\u00f5es, espiritualidade de seus povos. Eles se exprimem numa linguagem pr\u00f3pria e original, fazendo sistem\u00e1tico uso do plural para falar de diversidades \u00e9tnicas, de seres solid\u00e1rios que compartilham o que possuem, de homens que respeitam o habitat por acreditarem que todo e qualquer elemento da natureza possui um esp\u00edrito, e que os esp\u00edritos s\u00e3o diretamente ligados ao mist\u00e9rio da cria\u00e7\u00e3o. O enfoque da cultura ocidental pode ser sintetizado com palavras utilizada no singular: lucro, consumismo, individualismo.<\/p>\n<p>O movimento dos escritores ind\u00edgenas brasileiros come\u00e7a nos anos noventa. \u00c9 encabe\u00e7ado por indiv\u00edduos que moram nas cidades mas que, n\u00e3o por isso, deixam de ser e de se considerar ind\u00edgenas, tantos \u00e9 que acrescentam o nome da etnia a seus nomes pr\u00f3prios, como Daniel Munduruku e Eliane Potiguara, por exemplo, t\u00eam feito. Eles escrevem textos originais que resgatam mitos, lendas, l\u00ednguas, tradi\u00e7\u00f5es de seus povos, dos quais herdaram maneiras diferentes de sentir e interpretar a vida. Participam de concursos e feiras liter\u00e1rias, obt\u00eam pr\u00eamios e reconhecimentos nacionais e internacionais, seus nomes entram a fazer parte de listas de honra. Os livros s\u00e3o traduzidos para outra l\u00edngua, s\u00e3o escolhidos para serem lidos no circuito de escolas municipais e federais, s\u00e3o transformados em pe\u00e7as teatrais. Estes autores s\u00e3o muitos ativos e criativos. Ministram cursos para educadores e desenvolvem atividades l\u00fadico-formativas em escolas p\u00fablicas e particulares. Organizam eventos para analisar a conjuntura e falar das lutas para salvaguardar direitos; para divulgar hist\u00f3ria, cultura, literatura, arte, jogos ind\u00edgenas. Em \u00e2mbito nacional e internacional, participam de encontros, debates, semin\u00e1rios, confer\u00eancias. S\u00e3o eles que hoje em dia est\u00e3o educando os brasileiros a entenderem que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds multi\u00e9tnico, que a diversidade \u00e9 um valor. Eles t\u00eam profunda consci\u00eancia daquilo que s\u00e3o e daquilo que querem e \u00e9 esta consci\u00eancia, esta autoestima, este equil\u00edbrio interior que determina a qualidade e originalidade de sua escrita. De forma ativa e criativa eles animam o cen\u00e1rio s\u00f3cio-pol\u00edtico e art\u00edstico brasileiro. Os pensadores e escritores ind\u00edgenas est\u00e3o definindo a verdadeira identidade brasileira, pois sem os ind\u00edgenas o Brasil n\u00e3o existe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sinto a obriga\u00e7\u00e3o moral de lembrar um texto que tem sido fundamental para mim em fun\u00e7\u00e3o do envolvimento pessoal com a educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena. Refiro-me ao livro de Daniel Matenho Cabixi, ind\u00edgena pareci, cujo t\u00edtulo \u00e9 A quest\u00e3o ind\u00edgena. 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Durante i primi quattro anni e mezzo ha operato tra gli yanomami svolgendo assistenza sanitaria, ricerche linguistiche e un progetto chiamato Piano di Coscientizzazione, di cui l\u2019alfabetizzazione di adulti nella lingua materna faceva parte. In quell\u2019epoca ha prodotto saggi e lavori didattici, tra i quali Gram\u00e1tica pedag\u00f3gica da l\u00edngua y\u00e3nomam\u00e8 (Grammatica pedagogica della lingua y\u00e3nomam\u00e8), Dicion\u00e1rioY\u00e3nomam\u00e8-Portugu\u00eas (Dizionario Y\u00e3nomam\u00e8-Portoghese). Specializzatasi nella legislazione dell\u2019educazione scolastica indigena, ha organizzato e partecipato, in veste di docente, a incontri e corsi di formazione per maestri di varie etnie, contribuendo a far incorporare le loro rivendicazioni alla Costituzione. Ha curato l\u2019edizione di A conquista da escrita \u2013 Encontros de educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena (La conquista della scrittura \u2013 Incontri di educazione indigena), che documenta le prime esperienze scolastiche di quindici popoli indigeni. Ha fatto parte del Gruppo di Lavoro istituito dal Ministero dell\u2019Educazione per definire la politica nazionale per l\u2019Educazione Scolastica Indigena. Sua \u00e8 la redazione finale della proposta di creazione di una scuola specifica, differenziata e pubblica per la formazione dei maestri indigeni dello Stato di Roraima; approvata all\u2019unanimit\u00e0 nel novembre del 1993, \u00e8 divenuta la prima scuola del genere in Brasile. Nell\u2019adempimento dei ruoli ricoperti in organi pubblici o privati, ha sempre sostenuto le lotte per l\u2019autodeterminazione travate dal movimento indigeno organizzato brasiliano che, tra l\u2019altro, ha trasformato la \u201cscuola per gli indios\u201d in \u201cscuola indigena\u201d, pensata e amministrata da loro stessi e la cui finalit\u00e0 \u00e8 anche quella di affermare identit\u00e0 etniche e rivendicare diritti. 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Durante i primi quattro anni e mezzo ha operato tra gli yanomami svolgendo assistenza sanitaria, ricerche linguistiche e un progetto chiamato Piano di Coscientizzazione, di cui l\u2019alfabetizzazione di adulti nella lingua materna faceva parte. In quell\u2019epoca ha prodotto saggi e lavori didattici, tra i quali Gram\u00e1tica pedag\u00f3gica da l\u00edngua y\u00e3nomam\u00e8 (Grammatica pedagogica della lingua y\u00e3nomam\u00e8), Dicion\u00e1rioY\u00e3nomam\u00e8-Portugu\u00eas (Dizionario Y\u00e3nomam\u00e8-Portoghese). Specializzatasi nella legislazione dell\u2019educazione scolastica indigena, ha organizzato e partecipato, in veste di docente, a incontri e corsi di formazione per maestri di varie etnie, contribuendo a far incorporare le loro rivendicazioni alla Costituzione. Ha curato l\u2019edizione di A conquista da escrita \u2013 Encontros de educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena (La conquista della scrittura \u2013 Incontri di educazione indigena), che documenta le prime esperienze scolastiche di quindici popoli indigeni. Ha fatto parte del Gruppo di Lavoro istituito dal Ministero dell\u2019Educazione per definire la politica nazionale per l\u2019Educazione Scolastica Indigena. Sua \u00e8 la redazione finale della proposta di creazione di una scuola specifica, differenziata e pubblica per la formazione dei maestri indigeni dello Stato di Roraima; approvata all\u2019unanimit\u00e0 nel novembre del 1993, \u00e8 divenuta la prima scuola del genere in Brasile. 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