{"id":1000617,"date":"2019-12-22T09:35:39","date_gmt":"2019-12-22T09:35:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1000617"},"modified":"2019-12-22T09:35:39","modified_gmt":"2019-12-22T09:35:39","slug":"quichua-uma-lingua-que-nos-liberta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/12\/quichua-uma-lingua-que-nos-liberta\/","title":{"rendered":"Qu\u00edchua, uma l\u00edngua que nos liberta"},"content":{"rendered":"<p>Eu tinha nove anos quando fazia meu dever de casa, sentada na mesa da cozinha da minha v\u00f3, depois do almo\u00e7o. O exerc\u00edcio era fazer um desenho baseado no tema de um texto sobre a modo como os incas enterravam seus mortos. Desde ent\u00e3o, eu tratei os centenas de trabalhos acad\u00eamicos que fiz com grande perfeccionismo, mas foram poucas as vezes em que me esforcei tanto quanto naquele dia. Era como se, atrav\u00e9s do meu desenho, quisesse honrar o personagem que o texto descrevia, junto com toda uma cultura que, de acordo com o que o texto dizia, tamb\u00e9m tinha morrido.<\/p>\n<p>Mais tarde, nas aulas de hist\u00f3ria, ensinaram-me sobre coloniza\u00e7\u00e3o e miscigena\u00e7\u00e3o. Com meus professores, aprendi sobre a forma\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica do Equador, o pa\u00eds em que nasci. Eles nos ensinaram os nomes dos presidentes do Equador e nos levaram para visitar igrejas cat\u00f3licas no centro hist\u00f3rico da cidade de Quito, onde cresci. Eu n\u00e3o me lembro de nenhuma outra men\u00e7\u00e3o \u00e0s culturas ind\u00edgenas durante os meus anos escolares, exceto por uma breve leitura do romance\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Huasipungo\" data-versionurl=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/20191201180142\/https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Huasipungo\" data-versiondate=\"2019-12-01T18:01:43+00:00\" data-amber-behavior=\"\">Huasipungo<\/a>, quando j\u00e1 estava quase me formando do ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>A minha realidade di\u00e1ria, por\u00e9m, era diferente. Uma variedade de vestimentas, tradi\u00e7\u00f5es e culturas ind\u00edgenas sempre estiveram presentes no meu dia a dia. Al\u00e9m disso, o meu vocabul\u00e1rio, da mesma maneira que o de qualquer outro equatoriano que fala espanhol, era cheio de palavras emprestadas do qu\u00edchua, uma das\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ecuadorencifras.gob.ec\/documentos\/web-inec\/Bibliotecas\/Estudios\/Estudios_Socio-demograficos\/Poblacion_Indigena_del_Ecuador.pdf\">l\u00ednguas ancestrais do Equador<\/a>. Eu ainda jogo futebol numa \u201c<em>cancha<\/em>\u201c, digo \u201c<em>achachay<\/em>\u201d quando tenho frio e chamo minha irm\u00e3 de minha \u201c<em>\u00f1a\u00f1a<\/em>\u201c. Mas, at\u00e9 recentemente, o qu\u00edchua era uma l\u00edngua com a qual eu convivia, mas n\u00e3o conhecia de verdade.<\/p>\n<p>\u201cA educa\u00e7\u00e3o tradicional torna invis\u00edveis as l\u00ednguas, tradi\u00e7\u00f5es, conhecimentos, cosmovis\u00f5es e filosofias dos povos ind\u00edgenas\u201d, diz Rasu Paza Guanolema, membro da comunidade Puruh\u00e1, de Balda Lupaxi, na prov\u00edncia equatoriana de Chimborazo. \u201cEla nos retrata como algo do passado mas, apesar dos s\u00e9culos de exclus\u00e3o, ainda somos muito presentes\u201d.<\/p>\n<p>Rasu recorda-se de ter uma rela\u00e7\u00e3o positiva com a educa\u00e7\u00e3o enquanto vivia em sua comunidade. Mas quando se mudou para Quito para estudar, aos 12 anos, seus professores fizeram com que ele abandonasse o qu\u00edchua, sua l\u00edngua materna, e adotasse as tradi\u00e7\u00f5es e os conhecimentos associados a uma l\u00edngua de ra\u00edzes europeia.<\/p>\n<p>\u201cFoi uma experi\u00eancia terr\u00edvel\u201d, afirma Rasu. \u201cEu me senti intimidado pelos meus professores e colegas de sala, porque n\u00e3o era um deles. Eles deixaram bem claro que, no mundo deles, n\u00e3o havia espa\u00e7o para mim. Fizeram com que eu acreditasse que os membros de culturas milenares n\u00e3o tinham capacidade de aprender, muito menos de contribuir com o nosso pr\u00f3prio conhecimento\u201d. Depois de dois anos, Rasu voltou \u00e0 sua comunidade e come\u00e7ou a trabalhar. Quando tinha 20 anos, voltou ao col\u00e9gio Chaqui\u00f1\u00e1n e a estudar qu\u00edchua, e foi incentivado a se orgulhar de sua cultura, filosofia e espiritualidade. Desta forma, apaixonou-se novamente por suas ra\u00edzes.<\/p>\n<h4>Compartilhando o amor pela l\u00edngua e cultura<\/h4>\n<p>O amor de Rasu pelo idioma o inspirou a obter um diploma universit\u00e1rio em literatura espanhola. Desta vez, ele foi capaz de confrontar os professores que tentaram faz\u00ea-lo pensar que sua cultura e l\u00edngua n\u00e3o tinham o mesmo valor que o espanhol.<\/p>\n<p>O comprometimento de Rasu \u00e0 sua raiz qu\u00edchua o motivou a aplicar o que ele aprendera ao ensino da l\u00edngua, que pertence a uma fam\u00edlia lingu\u00edstica falada em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicef.es\/prensa\/unicef-presenta-el-atlas-sociolinguistico-de-pueblos-indigenas-en-america-latina\" data-versionurl=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/20191201180243\/https:\/\/www.unicef.es\/prensa\/unicef-presenta-el-atlas-sociolinguistico-de-pueblos-indigenas-en-america-latina\" data-versiondate=\"2019-12-01T18:02:44+00:00\" data-amber-behavior=\"\">sete pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul<\/a>.<\/p>\n<p>Com o objetivo de aumentar o n\u00famero de falantes de qu\u00edchua no Equador, Rasu juntou-se \u00e0 Tinkunakuy, em 2008. Esta organiza\u00e7\u00e3o, com sede em Quito, recebe seu nome do princ\u00edpio de relacionalidade, que \u00e9 fundamental na filosofia ind\u00edgena equatoriana. \u201cPara n\u00f3s, as pessoas, a natureza e o cosmos s\u00e3o relacionados, somos todos partes de um mesmo tecido\u201d, explica Rasu. \u201c\u00c9 uma intera\u00e7\u00e3o entre pares, baseada no respeito\u201d.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o fio condutor sob o qual os membros da Tinkunakuy ensinaram qu\u00edchua aos mais de 1.000 alunos que assistiram \u00e0s aulas da organiza\u00e7\u00e3o em seus 15 anos de exist\u00eancia. A organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m promove iniciativas pol\u00edticas, promocionais, espirituais, educacionais e econ\u00f4micas. Rasu tamb\u00e9m planeja escrever obras liter\u00e1rias para continuar transmitindo os conhecimentos ind\u00edgenas em qu\u00edchua. \u201cO meu objetivo \u00e9 que o m\u00e1ximo poss\u00edvel de pessoas passem a amar esta l\u00edngua e, atrav\u00e9s dela, aprendam a valorizar um estilo de vida diferente daquele imposto pelo atual sistema\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>Comigo, Rasu conseguiu atingir este objetivo. Eu sempre gostei dos sons do qu\u00edchua mas, como tenho vivido fora do Equador nos \u00faltimos oito anos, n\u00e3o havia oportunidade para aprender a l\u00edngua. Colaborar com algumas comunidades ind\u00edgenas por meio do projeto\u00a0<a href=\"https:\/\/rising.globalvoices.org\/reframed-stories\/\" data-versionurl=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/20191129182243\/https:\/\/rising.globalvoices.org\/reframed-stories\/\" data-versiondate=\"2019-11-29T18:22:44+00:00\" data-amber-behavior=\"\">Reframed Stories<\/a>, do Rising Voices, por\u00e9m, fez crescer o meu desejo de aprender qu\u00edchua, e quando eu vi, quase sete meses atr\u00e1s, um an\u00fancio das aulas de Rasu no Facebook, perguntei a ele se poderia fazer as aulas on-line.<\/p>\n<p>Para a minha surpresa, ele disse que sim, e eu tive minha primeira aula na segunda-feira seguinte. Desde ent\u00e3o, converso com Rasu pelo WhatsApp por 90 minutos, todas as semanas. Ele cria um Google Doc e eu sigo o que ele escreve em tempo real. Tamb\u00e9m usamos um e-book com exerc\u00edcios que revisamos juntos, e eu fa\u00e7o minhas anota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Faz menos de um ano desde que as aulas de qu\u00edchua passaram a estar dispon\u00edveis on-line. Inicialmente, Rasu n\u00e3o tinha o conhecimento t\u00e9cnico para fazer isso, mas quando foi convidado para dar aulas em um instituto de l\u00ednguas, ele procurou aprender como usar as ferramentas digitais. Agora, Rasu est\u00e1 ansioso para continuar explorando as possibilidades de criar arquivos de \u00e1udio para auxiliar no aprendizado da fon\u00e9tica. Por agora, ele me manda m\u00fasicas com letras em qu\u00edchua, que eu posso ouvir enquanto limpo a casa ou caminho na rua.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 bom saber que a dist\u00e2ncia j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais uma barreira\u201d, afirma Rasu, \u201ce que qualquer um que esteja interessado pode aprender a l\u00edngua em qualquer lugar do mundo\u201d. Eu concordo. Estou aprendendo qu\u00edchua no Canad\u00e1, e h\u00e1 estudantes fazendo o mesmo nos Estados Unidos e na Su\u00e9cia. Desta forma, Rasu pode compartilhar sua heran\u00e7a conosco, e n\u00f3s podemos nos apropriar dela no exterior.<\/p>\n<p>Embora a maioria das minhas intera\u00e7\u00f5es di\u00e1rias ocorra em ingl\u00eas, uma l\u00edngua que n\u00e3o \u00e9 minha, gra\u00e7as \u00e0s aulas de qu\u00edchua eu me sinto mais pr\u00f3xima do que nunca do meu pa\u00eds. E n\u00e3o s\u00f3 do Equador urbano onde cresci, mas tamb\u00e9m do conhecimento ancestral ao qual nem sempre fui exposta enquanto vivi l\u00e1.<\/p>\n<p>Catharina Blomquist, outra aluna de Rasu, tamb\u00e9m conheceu um novo mundo gra\u00e7as ao qu\u00edchua. \u201cSou da Su\u00e9cia, e o sueco \u00e9 minha l\u00edngua materna, mas eu sinto que o qu\u00edchua \u00e9 a minha l\u00edngua\u201d, diz Catharina. \u201cN\u00e3o sei bem explicar o porqu\u00ea\u201d. Ela se recorda que, quando visitou o Equador pela primeira vez, em 2017, n\u00e3o sabia que o qu\u00edchua existia, mas assim que ouviu a l\u00edngua, apaixonou-se e sabia que precisava aprender o idioma. Catharina procurou por aulas on-line e encontrou as de Rasu. \u201cO qu\u00edchua tem uma forma diferente de pensar; \u00e9 uma l\u00edngua bastante profunda\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>O qu\u00edchua tem sua pr\u00f3pria l\u00f3gica, que muda a nossa forma de entender e habitar o mundo. Eu aprendi, por exemplo, que em qu\u00edchua, \u201ceu\u201d (<em>\u00f1uka<\/em>) \u00e9 parte de \u201cn\u00f3s\u201d (<em>\u00f1ukanchik<\/em>), e que um n\u00e3o pode existir sem o outro. Passei a compreender que o tempo e o espa\u00e7o podem\u00a0ser t\u00e3o insepar\u00e1veis quanto as duas faces da mesma p\u00e1gina, e que o futuro \u00e9 a sucess\u00e3o do passado, e o presente nos guia. Aprendi que a doen\u00e7a pode ser entendida como algo que nos visita para mostrar que certos aspectos da nossa vida podem n\u00e3o estar em harmonia, e que a morte pode ser entendida n\u00e3o como um final, mas como parte do eterno retorno \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Para Rasu, apenas atrav\u00e9s de uma profunda compreens\u00e3o da l\u00edngua \u00e9 que podemos entender verdadeiramente estes conhecimentos ancestrais, sem esvazi\u00e1-los de seus verdadeiros valores. \u00c9 por isso que ele combina o ensino destes conhecimentos com as aulas de gram\u00e1tica e vocabul\u00e1rio. Para ele, \u00e9 gratificante ver como eles nos transformam, como alguns alunos, inspirados pelas aulas,\u00a0 retomaram as tradi\u00e7\u00f5es, vestimentas e forma de vida que haviam abandonado. Outros comprometeram-se a apoiar a l\u00edngua e as necessidades dos povos ind\u00edgenas de seus locais e experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Rasu n\u00e3o pode imaginar ensinar qu\u00edchua sem tocar em temas como as consequ\u00eancias duradouras da coloniza\u00e7\u00e3o, ainda t\u00e3o predominantes no presente, racismo e direitos de terra. Falar sobre estes problemas \u00e9 essencial para retificar os erros hist\u00f3ricos e para avaliar n\u00e3o s\u00f3 aquilo que aprendemos, mas tamb\u00e9m o que ainda n\u00e3o aprendemos. Isto nos liberta.<\/p>\n<p>\u201cO qu\u00edchua nos liberta de repetir os erros do passado, e de que os outros falem por n\u00f3s\u201d, afirma Rasu. \u201cPermite que n\u00f3s nos expressemos a partir das nossas pr\u00f3prias perspectivas e pontos de vista, para denunciar as injusti\u00e7as e para trabalharmos juntos para um futuro diverso, onde possamos viver em harmonia no mesmo tempo-espa\u00e7o-mundo-universo, com respeito m\u00fatuo entre os povos de diferentes l\u00ednguas\u201d, acrescenta. E assim, eu entendo que o qu\u00edchua preenche vazios \u2014 vazios que ficaram abertos por tempo demais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu tinha nove anos quando fazia meu dever de casa, sentada na mesa da cozinha da minha v\u00f3, depois do almo\u00e7o. 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