A mobilização será realizada em 6 de setembro e busca reivindicar o legado do presidente Salvador Allende, comemorar os 53 anos do golpe de Estado e denunciar os retrocessos em matéria de direitos humanos.
A Coordenadora Nacional de Organizações de Direitos Humanos e Sociais e a Mesa de Direitos Humanos por uma Vida Digna convocaram uma romaria pela memória, pelos direitos humanos e contra os indultos, que será realizada no próximo dia 6 de setembro, às 10:00 horas, a partir do Metrô Los Héroes e terminará no Cemitério Geral, em Santiago, com um ato político-cultural.
A jornada será realizada sob as palavras de ordem “Não aos Indultos” e “Direitos Humanos, nem um passo atrás”. Da mesma forma, será reivindicado o legado do presidente Salvador Allende e será prestada homenagem às vítimas do golpe de Estado civil-militar de 1973 e das posteriores violações sistemáticas dos direitos humanos.
As organizações convocantes expressaram sua preocupação diante dos possíveis indultos ou benefícios para condenados por graves violações dos direitos humanos, tanto relacionados à ditadura quanto a fatos ocorridos durante a revolta social, e alertam para o que consideram um cenário de retrocessos em matéria de verdade, justiça, reparação, memória e garantias de não repetição.
Entre as principais preocupações, encontra-se também o desmantelamento ou enfraquecimento do “Plano Nacional de Busca, Verdade e Justiça”, iniciativa criada durante o governo do ex-presidente Gabriel Boric, e que busca avançar no esclarecimento do paradeiro das pessoas detidas e desaparecidas durante a ditadura.
Para as organizações de direitos humanos, a memória não constitui apenas um olhar para o passado, mas também uma responsabilidade diante do presente e do futuro. Nesse sentido, a convocação busca expressar uma rejeição categórica a qualquer forma de impunidade e reafirmar que as violações dos direitos humanos não podem voltar a ficar subordinadas a interesses políticos e mudanças de governos.
“Uma demonstração de amor e reconhecimento”
A presidente da Agrupação de Familiares de Executados Políticos (AFEP) e Prêmio Nacional de Direitos Humanos 2026, Alicia Lira, convocou a cidadania a participar da mobilização e destacou o caráter histórico e também cultural da jornada.
“No dia 6 comemoraremos de forma cultural, de forma mística, reivindicando, não apenas o que foi a Unidade Popular, a memória de nossos familiares, o que ainda nos falta encontrar, nossos detidos desaparecidos e executados sem entrega do corpo”, afirmou a Prêmio Nacional de Direitos Humanos..
Além disso, expressou que a marcha também representa uma homenagem ao presidente Salvador Allende e àqueles que participaram do processo da Unidade Popular junto a trabalhadores, mulheres e profissionais.
“Tem a ver com esta marcha, que há uma demonstração de amor, de reconhecimento, com o orgulho que sentimos de nosso presidente Salvador Allende”, afirmou.
No mesmo sentido, o músico Jorge Coulon, do grupo Inti Illimani, convocou a participar da mobilização em um momento que considera especialmente relevante para a defesa dos direitos humanos.
“É muito importante reivindicar que o Chile respeita e exige que se respeitem os direitos humanos e a memória das vítimas das violações dos direitos humanos”, afirmou o artista.







