Na Colômbia continua se confirmando que somente o povo salva o povo.
O novo presidente da República e seu Governo não conseguem dimensionar a gravidade do terremoto nem sabem como enfrentá-lo. Em apenas uma semana de mandato, a pátria sobrevive graças à sociedade civil e à sua solidariedade e não pela mediação de nenhum santo ou profeta com faixa presidencial.
A arca de Noé da presidência se enche de espécies dos “nunca” que não sofreram em suas vidas nem um único contratempo, além de administrar suas riquezas e seus egos, e muito menos um dilúvio ou um terremoto como o que afetou o país no último 10 de agosto.
Alguns dirão que é um um azar para o novo governante, outros que a culpa é de Petro, os mais conspiracionistas que foi provocado pelos EUA para ter uma desculpa para intervir militarmente –como se precisassem dela—.
Mas a realidade é que o impacto do terremoto foi suficientemente duro para exigir uma resposta séria, rápida e eficaz para enfrentar tal emergência. Em vez disso, o ilustre presidente se dedicou a dar guinadas sem ter clareza do que é necessário e, o que é pior, sem a menor ideia de como fazê-lo.
Entre seus ´acertos` nesta semana:
Decretar toque de recolher na cidade de Cali para evitar tumultos. Durante uma emergência sanitária qualquer ajuda é bem-vinda e proibir a circulação é condenar as pessoas afetadas.
Cumprimentar certo público com sorrisos e beijos em uma aparição oficial após o terremoto, em vez de dar as respostas que o país e a cidadania esperam.
Incluir departamentos não afetados pelo terremoto em seu decreto de declaração de desastre (algo que poderia servir como ´justificativa` encoberta para a intervenção externa).
Não aceitar algumas das ofertas de ajuda internacional ou fazê-lo tarde.
Dar a impressão de se preocupar mais com o estado da estrutura da catedral de Manizales, afetada pelo terremoto, do que com as vidas que foram perdidas.
Criar o fundo milagre, como se tudo ficasse nas mãos da providência e não da ação humana diante do desastre, lavando um pouco as mãos com a desculpa do nível de endividamento deixado pelo governo anterior.
Não ter feito a tempo e de forma adequada a transição com a equipe anterior de gestão de riscos, nomeando oficialmente o novo responsável pela Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD) por meio do decreto 1170 de 11 de agosto de 2026 –um dia depois do terremoto—. Sobre o novo diretor da UNGRD, o cabeça de cartaz do governo disse “É um homem de todas as condições, todas as qualidades e toda a honestidade para chegar e limpar aquele ninho de bandidos que tomou conta daquela instituição e para fazer o trabalho missionário que corresponde”. Tarde, mal e sem fazer outra coisa além de procurar inimigos.
Algo que inclusive foi apontado pela revista The Economist, publicação séria e nada suspeita de socialista, ao afirmar que o presidente “está pagando as consequências de sua insensata recusa em cooperar com o processo de transição iniciado pelo governo anterior”. E destacando que “o resultado é que o novo governo carece das informações e das capacidades de que necessita com urgência. Sem elas, o novo Executivo se vê obrigado a agir principalmente por meio dos governos locais. Isso funciona, embora com dificuldade, em lugares mais prósperos como as zonas cafeeiras e o Valle del Cauca”.
Além disso, e para terminar (por enquanto), no âmbito internacional aproveitou a situação catastrófica para, por exemplo, reconhecer a legitimidade de um país genocida sobre um território que não lhe pertence ou para voltar a permitir o uso do território colombiano pelas forças militares gringas.
Pois é, nem pátria milagre nem arca de Noé. Isso não se resolve rezando nem ´salvando` somente em sua nave espécies ´protegidas`. Solidariedade com a Colômbia e com as e os colombianos de todas as classes e de todos os territórios.
Não esquecer Gaza nem Cuba.







