Neste dia 28 de julho, o Peru celebra 205 anos da sua independência e dará início ao segundo governo fujimorista da sua história. Neste contexto, Keiko Fujimori prestará juramento como presidente eleita e proferirá o seu primeiro discurso à nação. A mandatária referiu que se depara com um país em crise, com obras paralisadas e insegurança pública; no entanto, parte desta situação foi gerada pelo Congresso cessante, liderado pelo seu grupo parlamentar «Fuerza Popular» e pelos seus aliados.
O fujimorismo preside ao Executivo, ao Senado e ao PCM
No passado domingo, dia 26, o Congresso da República realizou a eleição das mesas diretoras dos senadores e deputados, em meio a vozes que gritavam «traição», devido a um voto alegadamente viciado pela aliança da oposição. Este fato entregou o poder ao fujimorismo no Senado, onde Miguel Torres Morales (Fuerza Popular) assumiu o cargo de presidente, acompanhado por três vice-presidentes das bancadas da Fuerza Popular e da Renovación Popular (direita). Por seu lado, a Câmara dos Deputados será presidida pelo deputado Oscar Reto Otero (Partido do Bom Governo) e por três vice-presidentes dos partidos Juntos pelo Peru, Agora Nação e Obras (aliados da esquerda).
Com o sistema bicameral, o Senado da República terá atribuições fundamentais, tais como: ser o filtro definitivo dos projetos de lei aprovados na Câmara dos Deputados; além disso, não poderá ser dissolvido pelo Presidente da República e é responsável pela nomeação ou ratificação dos membros do Tribunal Constitucional, da Defensoria do Povo, do Controlador-Geral e dos diretores do Banco Central de Reserva. Este órgão será presidido pela «Fuerza Popular» e pela «Renovación Popular».
É de salientar que, após as eleições das mesas diretoras, diversas organizações, como a «Plataforma pela Democracia», emitiram declarações face a alegadas irregularidades no processo. «A eleição das mesas diretoras do Senado e da Câmara dos Deputados não pode ser marcada por irregularidades. A exclusão da imprensa, as denúncias de compra de votos e a intimidação de deputados representam uma grave ameaça à democracia. Exigimos o esclarecimento destes fatos e apelamos à defesa das instituições, da transparência e do Estado de direito», afirmaram.
Keiko Fujimori anunciou também que, no dia 28 de julho, tomará posse o novo Conselho de Ministros, cuja presidência caberá ao fujimorista Luis Galarreta; além disso, Elmer Cuba assumirá o cargo de novo ministro da Economia e Finanças (MEF) e Carlos Espá será o novo titular do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
A população mobiliza-se
Paralelamente à mudança oficial de governo, e sob o lema «Keiko não me representa», diversos coletivos da sociedade civil organizada convocaram uma Marcha Nacional para este dia 28 de julho, em frente ao Palácio da Justiça, no centro de Lima, para se manifestarem contra o novo governo e a atual crise política e social.
Os familiares das vítimas da repressão, estudantes universitários, feministas, ambientalistas, coletivos juvenis, grupos espontâneos, sindicatos, artistas e partidos políticos exigem: uma nova Constituição, justiça para os familiares das vítimas do regime de Merino e Boluarte, o fim da privatização da educação e a revogação das leis que favorecem o crime, entre outras coisas.







