Após o segundo turno, a contagem realizada pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) para o resultado final das Eleições Presidenciais de 2026 continua a oscilar entre os dois candidatos. E enquanto isso acontece, o Peru encontra-se dividido e polarizado por duas propostas políticas que se apresentam, com algumas variações, há já décadas nas eleições presidenciais: a direita e a esquerda.

Direita conservadora

Por um lado, Keiko Fujimori (Fuerza Popular) representa a proposta da direita peruana, de caráter conservador (sobretudo em temas como a perspetiva de género e o aborto) e autoritário (propõe «ordem» e mão dura com o reforço das Forças Armadas e da Polícia Nacional), além de um «choque anticorrupção». Além disso, a redução do papel do Estado e um «choque desregulatório» para dinamizar os investimentos e o mercado livre.

De acordo com os resultados atuais, os seus principais apoiantes encontram-se nas zonas urbanas e da costa (63%): a cidade de Lima, onde alcançou 66,1% dos votos, e em Tumbes, Piura, Lambayeque, La Libertad, Callao e Ica; além disso, na zona central (Pasco) e na região da selva (Loreto e Ucayali) e no voto dos estrangeiros.

Segundo os especialistas, o fujimorismo conta com um eleitorado fiel que se mantém apesar das campanhas #NoAKeiko e #PorEstosNo, motivado principalmente pela proposta conservadora e de livre mercado, que garante o estatuto económico e social das zonas urbanas, suas principais aliadas.

Esquerda com economia social de mercado

Por sua vez, Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru) representa a esquerda peruana, sem ênfase no aspecto ideológico, mas com forte identidade regional e rural, promovendo uma economia social de mercado e um papel promotor do Estado. O novo plano de governo de Sánchez assumiu as reivindicações sociais pela revogação das leis pró-crime, impulso às micro e pequenas empresas (mypes), justiça e reparação para as vítimas dos protestos, entre outras.

De acordo com os resultados de hoje, os seus principais apoiantes distribuem-se pelas regiões (56,1%), no sul do país, como Apurimac, Ayacucho, Arequipa, Cajamarca, Cusco, Moquegua, Puno, Tacna; no centro (Huancavelica, Junín) e na selva (Amazonas, Huánuco, Madre de Dios e San Martín).

Os eleitores de Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru) estão distribuídos por 17 regiões (de um total de 25), especialmente na zona rural, motivados por reivindicações de longa data (mais de duas décadas), como justiça social, maior presença e descentralização do Estado, emprego, educação e saúde de qualidade; e, nos últimos anos, a insegurança cidadã.

A diferença de abordagem entre ambas as tendências gerou uma polarização na população peruana que, embora não tenha atingido os níveis violentos das eleições anteriores (2021: Pedro Castillo), impede o diálogo e o intercâmbio político que a conjuntura exige. A boa governança, com a participação ativa da população, exige reduzir as diferenças e encontrar pontos em comum.