A Secretaria Executiva da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) reuniu-se com o vice-ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Carlos Paz Ide, e com representantes da Missão Permanente da Bolívia na OEA, no contexto dos protestos sociais contra decretos anticonstitucionais emitidos pelo governo.

Num comunicado, a CIDH salientou que «o Estado deve garantir o direito à manifestação e, perante bloqueios prolongados que comprometem o direito à vida, à saúde ou ao abastecimento alimentar, dar prioridade ao diálogo político e assegurar que o uso da força seja o último recurso». Além disso, apelou aos manifestantes para que garantam corredores humanitários para a entrada de alimentos e assistência médica de emergência.

Os protestos, compostos por trabalhadores, camponeses e comunidades indígenas, se realizam em cidades como La Paz, El Alto, Oruro, Potosí e Cochabamba, entre outras, com quase 50 pontos de bloqueios em todo o país, aos quais se juntam cada vez mais manifestantes. A Defensoria do Povo informou mais de 100 detenções, 19 agressões contra a imprensa e pelo menos três pessoas mortas no contexto das manifestações.

«Haverá um diálogo desde que o governo se comprometa a não vender os recursos naturais da Bolívia, como o lítio, a água doce, a mineração, as nossas terras raras. Este governo tem um pacote de privatização destes recursos.

A população quer a demissão do presidente porque ele enganou durante a campanha eleitoral e agora promulga decretos anticonstitucionais que pretendem expropriar as terras e entregá-las às elites latifundiárias de Santa Cruz. «Querem a renúncia, que o vice-presidente assuma o cargo através da sucessão constitucional», afirmou Cecilio Illasaca, ativista e ex-coordenador do vice-ministério da Descolonização e Despatriarcalização no governo de Evo Morales.

Fotos: Rádio Kawsachun Coca.