POEMA

Por Cleissianne Leite

 

Tem dias que a ausência fala, grita! Escancara! O avesso da alma e nela eu me encontro cheio de nada.

Tem dias que o livro está de ponta cabeça, que o colorido é incolor, os tons de cinza se apaga e mais uma vez chegamos ao nada do avesso.

Tem dias que o caminho perde as estrelas e o por do sol. O tempo perde o sentido e tudo que tinha importância torna-se sem valor. O nada que era bem-vindo em solitude pesa tanto, enche tanto que o vazio se torna presente.

O avesso é o contrário da gente. O contrário de cada detalhe íntimo e latente e nesse avesso eu não existo, eu sou além do nada, sou não nascido e não nascer dói!

Não ser, pesa mais que ser. Não ser é dor não sentida que rasga a alma e deixa em carne viva, e essa alma desnuda, mutilada e sangrando anda incógnita. Mas pulsante no meio de quem nada sabe.
E quando o avesso for reverso, lembre se que meu sorriso guarda segredos. Qual sorriso não guarda segredo? Qual alma não sangra no limbo do desespero?

No reverso do avesso tudo pulsa e vibra, tudo é cor e alegria, é um oceano de detalhes, campo fértil para sublimação.

Renascer é da minha natureza, fênix que ressurge das cinzas é eterna expectativa de entrar em combustão. Só renascerá quem antes se consumir.