DIREITOS HUMANOS

Por Mônica Marins

 

O EVENTO REUNIU DIVERSAS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL NO RIO DE JANEIRO

 

O Instituto por Direitos e Igualdade (IDI) reuniu cerca de 100 pessoas na sede da instituição, na cidade do Rio de Janeiro, bairro do Rio Comprido, na noite de sexta-feira, 22, para o lançamento da organização e do projeto Observatório de Direitos das Famílias das Pessoas Encarceradas. Políticos de esquerda, representantes de instituições de direitos humanos, jornalistas, cientistas políticos, intelectuais e artistas estiveram presentes. Durante o evento, além da apresentação do Instituto e dos projetos para 2023 foram feitas diversas homenagens ao fundador do IDI, o historiador Marcelo Biar, que morreu há dois anos, vítima do Covid-19.

A anfitriã e diretora geral do IDI, Thayná Trindade, inaugurou a noite dizendo “que foram dois anos de muita dificuldade, mas a gente venceu.” Ela fez a apresentação do instituto, falou dos projetos em andamento e fez o lançamento oficial da organização e do projeto Observatório das famílias. Durante a homenagem ao fundador Marcelo Biar, a diretora definiu: “O IDI é o sonho que Marcelo sonhou e que a gente pode concretizar”.

Ao falar sobre os trabalhos desenvolvidos pelo instituto, Thayná explicou que o Observatório das Famílias consiste em construir uma plataforma de mapeamento das condições das famílias de pessoas em privação de liberdade.

Ela informou também que um levantamento feito pela instituição revela a ausência de dados sobre o sistema carcerário, bem como o ocultamento de dados: “Não há registros de onde vêm as pessoas que visitam os encarcerados, por exemplo”, revelou. Segundo pesquisa da organização há atualmente 250 mil familiares de encarcerados no Estado do Rio de Janeiro.

“Esperamos, com esse projeto, que as pessoas tenham um lugar de escuta e de direitos dos familiares dos encarcerados, para isto foi criado o Centro de Acolhimento e Atenção Psicossocial,” anunciou Thayná.

Ela encerrou enfatizando a necessidade de manter em pauta a agenda do desencarceramento, principalmente entre os candidatos aos cargos eletivos das eleições de outubro, e propôs uma mobilização para que seja criado um projeto que garanta o custeio integral da passagem do familiar que precisa ir visitar o encarcerado.

Cinco representantes da sociedade civil e parceiros do Instituto fizeram parte da mesa organizadora do evento. A fundadora da Casa Mãe Mulher – Sandra Santos, em uma referência às famílias dos encarcerados destacou a ajuda mútua entre as mulheres: “Atualmente temos visto mais mulheres cuidando de mulheres.” Já a coordenadora da Rede de Atenção a Egressos do Sistema Prisional (RAESP) – Edite Rosa enfatizou a importância da ampliação dos escritórios sociais no estado do Rio de Janeiro. Segundo ela, quando a pessoa chega no sistema prisional é porque todas as políticas públicas falharam.

O presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB do Rio de Janeiro – advogado Rafael Borges defendeu veementemente a ideia de que o encarceramento precisa ser enfrentado. Ele foi enfático ao afirmar que as cadeias são intoleráveis. E completou: “O sistema de justiça criminal e o racismo são estruturas do capitalismo. Nenhuma evolução libertária acontece sem o fim das cadeias. A pauta da vida é mais importante,” finalizou Borges.

O Economista José Luiz Fevereiro fez menção à situação das famílias dos encarcerados: “Há uma família que está presa junto, quando falamos dos encarcerados no Brasil” e se emocionou ao falar sobre Marcelo Biar: “As bandeiras do Marcelo não ficaram pelo chão”. O deputado federal Glauber Braga relembrou momentos em que foi criticado por defender a causa dos encarcerados e pontuou: “Nós nos jogamos onde estão as azelas”, e concluiu: “Essas lutas têm que ser trabalhadas conjuntamente”.

As celebrações seguiram e, bem ao estilo carioca, as pessoas celebraram o encontro com samba de primeira qualidade, regado à boa comida brasileira, bebida, risos e abraços fraternos.