REFLEXÃO

 

 

Por Paolo D’Aprile

 

 

Dias semanas meses anos décadas… ditadura, tirania, guerra, ocupação, bombardeios, fome, morte. Mas no fim desceram. Desceram em armas, aos milhares os combatentes deixaram seus esconderijos nas montanhas e desceram às grandes cidades do norte, coração industrial da nação, onde se lutou a batalha definitiva, bairro por bairro, rua por rua, casa por casa. Os trabalhadores entraram em greve geral e ocuparam as fábricas prestes a serem dinamitadas pelo exército alemão, bicho acuado, cobra moribunda, mas ainda letal. Os últimos fascistas caiam um por um debaixo da “vendetta” do braço popular. A tentativa de fuga do ditador não impediu que a justiça de guerra fosse feita. O cadáver do homem, que tomou o poder pela força, que perseguiu, exilou, prendeu e massacrou os opositores; o cadáver do homem que silenciou a cultura e a arte; o cadáver do homem que queria reviver os fastos do Império Romano; o cadáver do homem que invadiu a Somália, a Eritreia, a Etiópia, a Líbia, a Grécia, a Albânia, a Jugoslávia; o cadáver do homem que mandou um exército inteiro junto aos alemães a invadir a União Soviética e morrer congelado, morrer esquartejado pelos sabres dos cossacos; o cadáver do homem que decretou as leis raciais e permitiu a deportação de milhares de judeus italianos para as câmeras de gás; o cadáver do homem que enforcava os opositores na praças públicas; o cadáver de Benito Mussolini teve que ser protegido da fúria do povo que queria destroçá-lo com as próprias mãos. E para tanto, foi erguido pelos pés para que ninguém pudesse tocá-lo e profaná-lo, mas exposto ao escárnio da História.

Desceram aos milhares das montanhas os combatentes, guerrilheiros da Itália livre, os “partigiani”. Era necessário agora reconstruir das cinzas uma nova nação, livre, democrática, republicana. Era o dia 25 de abril de 1945,“il giorno della Liberazione”.

 

BELLA CIAO

 

 

Essa manhã eu acordei

E encontrei o invasor.

Ó partigiano me leva embora

Que me sinto morrer.

E se eu morrer como partigiano

Você deve me enterrar

Lá na montanha

Debaixo da sombra de uma bonita flor.

E todas as gentes que passarão dirão:

Que linda é a flor, que linda é a flor.

Essa é a flor do partigiano

Morto pela Liberdade.