TEATRO

 

 

Por Marrom Glacê

 

 

Há três anos em cartaz, espetáculo se reinventa na pandemia e apresenta o encontro de dois estranhos numa cidade sem arte tendo a Fábrica Bhering como cenário real.

 

Entre os dias 25 e 29 de Março às 20h o espetáculo “PROCÓPIO” retorna numa versão online um tanto inédita e real. Completando três anos em cartaz, a montagem que levantou a discussão sobre a importância da arte na sociedade mantém intacta a sua encenação, que acontece agora gratuitamente através do YouTube (https://www.sympla.com.br/procopio__1162157), tendo a Fábrica Bhering como cenário real. Idealizado por Kadu Garcia e Paulo Giannini, que atuam e produzem o espetáculo, o texto de Carla Faour, também idealizadora deste projeto, é dirigido por Dani Barros, e conta agora com os recursos do audiovisual a seu favor.

Propondo uma provocação sobre o nosso tempo e história, a montagem estreou em 2018 refletindo o momento político e cultural daquele período, onde o papel da arte era questionado, artistas discriminados e a falta de investimentos colocava em risco a manutenção de espaços culturais. A cena se desloca para o futuro, onde moradores de uma cidade são afetados por um “decreto” que muda a vida de todos – toda e qualquer manifestação artística está proibida. E mostra possíveis consequências na vida  de dois estranhos que se encontram no interior de um prédio abandonado e convivem em meio à profunda aridez cultural.

“A peça surgiu quando já vivíamos semelhanças com esse enredo, e me impressiona como a pandemia nos fez viver radicalmente essa realidade. Constatamos que é absolutamente impossível viver sem a arte, que tem sido uma companhia fundamental durante a pandemia. Agradeço à Benedita da Silva e Jandira Feghali pela conquista dessa lei, nos possibilitando exercer nossos ofícios nesse momento tão obscuro da nossa história”, relata Dani Barros, que teve o projeto que dirige aprovado no edital retomada da cultura da Lei Aldir Blanc da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec/RJ).

A autora Carla Faour concorda e reitera. “Nossa ficção futurista se passa numa praça imaginária em que teatros, cinemas, casas de shows e demais aparelhos culturais estão fechados, e todas as manifestações artísticas são proibidas e criminalizadas. Quando a criamos, achamos que seria mais eficaz nos descolar da realidade, dar um salto no tempo e imaginar um futuro distópico. Mas a pandemia redimensionou a relação vital que o ser humano tem com a arte e a cultura, o futuro chegou de repente e nos deu a certeza de que ‘Procópio’ está mais atual do que nunca”, reforça.

No nome do espetáculo, uma homenagem ao ator, diretor e dramaturgo Procópio Ferreira, considerado um dos grandes nomes do teatro brasileiro, que, em 62 anos de carreira, interpretou mais de 500 personagens em 427 peças. “Chamamos a Carla para escrever, acompanhando o fluxo de acontecimentos que atropelavam o Brasil, ouvindo as urgências que nos circundavam, e convidamos a Dani para conduzir nosso destino em direção ao futuro criado pela Carla. Sigo em cena com o Paulo, mais uma vez, dando voz às nossas inquietações”, finaliza Kadu.

SERVIÇO:

Temporada:

25 a 29 de março

Horário:

Quinta-feira à segunda-feira – 20h

https://www.sympla.com.br/procopio__1162157

Ingressos: Gratuitos

Duração: 60 minutos

Classificação Indicativa: 14 anos

Gênero: Comédia

FICHA TÉCNICA:

Autora: Carla Faour

Direção: Dani Barros

Elenco: Kadu Garcia e Paulo Giannini

Cenário: Fernando Mello da Costa

Figurinista: Bruno Perlatto

Iluminação: Renato Machado e Maurício Fuziyama

Direção musical: Rodrigo Marçal

Designer gráfico: Daniel de Jesus

Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Assessoria – Gisele Machado & Bruno Morais

Redes Sociais: LB Digital

Direção de produção: Kadu Garcia e Paulo Giannini

Realização: Saravá Cacilda Projetos Culturais

SOBRE A AUTORA:

Carla Faour é um dos expoentes da nova dramaturgia brasileira. Por A arte de escutar, seu primeiro texto original, foi indicada aos principais prêmios do teatro carioca: Shell, APTR e Contigo. O texto foi traduzido para o inglês e montado em Toronto, Canadá. Em 2010, estreia Açaí e dedos, sendo indicada ao Prêmio Contigo de Melhor Autor. Em 2012, estreia Obsessão, e recebe os prêmios APTR e FITA de melhor autor do ano, e é indicada pela segunda vez ao Prêmio SHELL. Obsessão foi traduzida para o espanhol e o francês, e integra a coletânea, Teatro Contemporâneo Brasileiro. Em 2015, escreve com Henrique Tavares, Os intolerantes, que estreia no Teatro I do CCBB. Também é autora de A força do destino e Nenê Bonet, adaptações literárias para o teatro. Desde 2013, é contratada da Rede Globo, onde colaborou como roteirista na novela Além do horizonte, no seriado Tapas e beijosMalhação – Seu lugar no mundo e no filme Chacrinha, o Velho Guerreiro. Atualmente, desenvolve a série Segunda chamada, prevista para estrear em 2019. Também escreveu as séries, Vai que cola, do Multishow, Amor Veríssimo, do GNT e a adaptação para o cinema da peça O inimigo do povo, de Ibsen.

SOBRE A DIRETORA:

Dani Barros estreou como diretora dirigindo o musical Dançando no escuro, baseado no filme de Lars Von Trier. O espetáculo recebeu ótimas críticas e indicações a prêmios, incluindo o de melhor direção. Como atriz, atuou nas peças “Maria do Caritó”, dirigido por João Fonseca, e “Conchambranças de Quaderna”, dirigido por Inez Vianna, ganhando o prêmio APTR de Teatro de Melhor Atriz Coadjuvante pelos dois trabalhos. Por seu papel em “Estamira – beira do mundo” recebeu, como melhor atriz, os prêmios Shell, APCA, APTR, Questão de Crítica e Festival de Teatro do Rio. Atuou no filme “O veneno da madrugada”, dirigido por Ruy Guerra. Na TV Globo, atuou no programa “Minha nada mole vida” e nas novelas “Pega Pega”, “Além do tempo”, “Fina estampa” e “Império”, onde foi indicada com a personagem Lorraine aos prêmios Extra, Contigo e Revista Quem.

SOBRE OS ATORES:

Kadu Garcia atuou nos espetáculos “Solo”; “Sobre o que não sabemos”; “A paz perpétua”; “Galápagos”; “Vianinha conta o último combate do homem comum”; “Pelo amor de Deus, não fala assim comigo”; “Inventário”; “InumanoEngraçadinha”; “A farsa da boa preguiça”; “Vem buscar-me que ainda sou teu”; “Uma cidadezinha qualquer”, entre outros. Foi dirigido por Aderbal Freire-Filho, Amir Haddad, Isabel Cavalcanti, André Paes Leme, Ivan Sugahara, entre outros.  É fundador e integrante do grupo Roda Gigante, onde desenvolve uma pesquisa continuada sobre a linguagem do palhaço. No cinema, integrou o elenco de “Montanha russa”, de Vinicius Reis. Na TV, participou da novela “Deus salve o rei” e protagonizou um episódio da série “Sob pressão”, com direção de Andrucha Waddington e Mini Kerti.

Paulo Giannini atuou nos espetáculos “Galápagos”; “A tempestade”; “Homem de barros”; “Minh’alma é imortal”; “O Beijo no asfalto”; “Otelo”; “Fogo morto” e “Engraçadinha”, entre outros . Sendo dirigido por Isabel Cavalcanti, Miwa Yanagizawa, Kadu Garcia, Miguel Vellinho, Jeferson Miranda, André Paes Leme, Sidney Cruz, Henrique Tavares, Dudu Sandroni, entre outros. No cinema, participou do documentário sobre Manoel de Barros “Só 10 por cento é mentira” e do longa-metragem “Copa 181”, com direção de Dannon Lacerda. Atuou como diretor de teatro do grupo Nós do Morro, em que dirigiu e coproduziu Barrela, de Plínio Marcos, obtendo sucesso de crítica e público no Rio de Janeiro e em seis outras cidades do país.

SOBRE A PRODUTORA:

Saravá Cacilda Projetos Culturais foi criada pelos sócios Kadu Garcia e Paulo Giannini. Produziu, em 2011, “Homem de barros”, na IX FLIP, espetáculo inspirado na obra de Manoel de Barros dirigido por Miwa Yanagizawa e Kadu Garcia, atuação de Paulo Giannini. Entre 2006 e 2011 a montagem circulou por mais de 40 cidades, totalizando 13 estados brasileiros. Em 2012, produziu a temporada de “Barrela” no Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas, e a participação no Festival XTUDO Cultural Sesi – RJ. Em 2014, produziu a primeira temporada do espetáculo “Galápagos”, no Teatro III do CCBB-RJ. Em 2015, produziu as apresentações no Circuito Sesc de Artes Cênicas e a participação na programação do Festival Sesc de Inverno. E as temporadas do espetáculo no Teatro da UFF em setembro, outubro e novembro, no teatro Glaucio Gill. Em 2017, produziu a temporada de “Galápagos” na Sala Municipal Baden Powell, no Rio de Janeiro. Desde 2018 vem produzindo o espetáculo “Procópio”.