Afeganistão sem paz. Entre os chamados “acordos de paz” e ataques terroristas

05.11.2020 - Walimohammad Atai

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Afeganistão sem paz. Entre os chamados “acordos de paz” e ataques terroristas

No último dia 02 de novembro, na universidade de Cabul, pelo menos 24 estudantes foram mortos e mais de 38 ficaram gravemente feridos em um ataque realizado por três terroristas. As forças especiais afegãs intervieram e, após 6 horas de confrontos, conseguiram assumir o controle da universidade. Um dos três terroristas se explodiu dentro da universidade gritando e dizendo “ALLAH AKBAR”, e os outros dois foram mortos pelas forças de segurança. Não é a primeira vez que universidades, escolas e centros culturais do país são alvos dos talibãs: na semana passada, 27 pessoas (a maioria estudantes), foram mortas em um ataque kamikaze no zona oeste de Cabul.

O Afeganistão ainda está em guerra. O processo de paz iniciado em 12 de setembro, em Doha, foi interrompido. Os talibãs e o governo afegão ainda não chegaram a um acordo. Três delegados afegãos deixaram Doha em resposta às últimas atitudes fundamentalistas dos talibãs. O enviado dos EUA, Zalmay Khalilzad, viaja entre o Afeganistão e o Paquistão. O futuro do país é incerto à medida que o presente piora a cada dia e os ataques continuam em todo o país, matando cada vez mais civis. Nos últimos dois meses, os ataques se multiplicaram, deixando pelo menos 461 civis mortos e 602 feridos. Os confrontos entre os talibãs e o governo afegão continuam de maneira intensa nas províncias de Helmand, Kunduz, Nangarhar e Badakhshan. Mais de 30.000 civis fugiram dos combates da província de Helmand. Acreditando nos acordos de paz, o governo afegão chegou a libertar seis mil combatentes talibãs em troca da promessa feita por eles de pararem com os ataques, no entanto, não houve redução nos atentados e os talibãs negam ter prometido algo ao governo afegão. Todos os talibãs liberados pelo governo afegão foram ao Paquistão para se armar e voltar a lutar na linha de frente contra o mesmo.

Porque não se consegue estabelecer a paz?

O Paquistão foi o principal apoiador dos talibãs durante a guerra civil afegã nos anos 90. Foi um dos únicos três países que reconheceram o governo talibã de 1996 a 2001. O Paquistão tem suas próprias condições e exigências e quer que os talibãs tenham uma presença significativa no futuro governo de Cabul, para manter os indianos sob controle e não permitir que a Índia se expanda e estabeleça boas relações com o Afeganistão. O Paquistão almeja também, por meio de Gulbuddin Hekmatyar, o controle total do Afeganistão, e agora quer que os talibãs em quem confia sigam Hekmatyar. As forças de Hekmatyar cometeram atrocidades que em outras partes do mundo geraram mandados de prisão internacionais e acusações por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. No entanto, no Afeganistão -graças aos serviços secretos do Paquistão- ele até concorreu às eleições presidenciais e vive a vida tranquilamente. Os combatentes de Hekmatyar mataram dezenas de milhares de pessoas, sequestraram, torturaram, estupraram e mataram inúmeros civis de maneiras tão horríveis que muitos afegãos, especialmente os residentes de Cabul, ainda hoje se recusam a pronunciar o nome de Hekmatyar.

O chefe do processo de paz afegão, Abdullah Abdullah, concluiu uma visita ao Paquistão. Lá, as autoridades basicamente lhe disseram que os talibãs logo terão uma chance de tomar o poder total pela força, em vez de tentar obter o poder parcial por meio da negociação.

Para quem tiver interesse em aprender mais sobre o assunto, recomendo a leitura do meu último livro “O mártir interrompido, como saí do inferno do fanatismo“, onde explico como, da onde e por quais motivos nasceu o terrorismo.


Traduzido do italiano por Cristiana Gotsis / Revisado por Stephany Vitelli

Categorias: Asia, Internacional, Opinião
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