Por África Gómez Lucena

Desde 2016, milhares de pessoas estão presas no Campo de Moria, fugindo de guerras, da miséria e repressão política. Atualmente, há quase 13.000 pessoas, mas esse contingente já chegou a 19.000. Dentre os imigrantes, 40% são crianças, meninas e meninos que não entendem a gravidade da situação, mas que reagem ao desamparo em que se encontram com comportamentos autolesivos, tentativas de suicídio, ataques de pânico e confrontos com as pessoas mais velhas que os levaram até lá. Essas crianças não conseguem enxergar o “futuro” que um dia imaginaram, e que foi a razão pela qual deixaram seus países, onde também viviam situações de conflito. Um ano de viagem para isso? Não há saída?

Não há sinal de política humanitária e as ONG foram criminalizadas. As ONG locais e outras organizações internacionais da Grécia, Noruega, Espanha etc., estão trabalhando duro no terreno, mas são poucas diante da imensidão de necessidades.

Também não há condições mínimas de higiene (sanitários, banheiros etc.), alimentação e intervenção sanitária. Vivem um verdadeiro confinamento. A pandemia do COVID agravou ainda mais a situação, se é que ainda há espaço para piorar alguma coisa. Mas, a pandemia, aliada ao inverno, que se aproxima, à ameaça das chuvas, falta de luz, e tendo que usar água do mar para tomar banho, coloca em risco, principalmente, a vida de 5.000 crianças, e tudo isso contribuirá para agravar terrivelmente a situação, em meio a uma nova deslocalização.

O novo Pacto Europeu sobre a Imigração e o Asilo será mais do mesmo. Os que tiverem “sorte” solicitarão asilo, mas os demais serão obrigados a regressar aos seus países sob o manto do eufemismo do “regresso voluntário”. Esse Pacto, que ainda se arrasta tramitando no Parlamento Europeu, por conta da pandemia do Covid, trata do habitual: segurança nas fronteiras, regressos etc., que não se coadunam com a aplicação das normas do Direito Humanitário Internacional.

Nós, como cidadãos, podemos fazer muito para que o respeito aos Direitos Humanos (DDHH) sejam estendidos aos refugiados.

Antes de mais nada, não tome como certa uma informação falsa. Não é verdade que imigrantes e refugiados representem um contingente tão numeroso de pessoas que ameace os países de acolhimento. O efetivo desse contingente vem diminuindo desde 2015, e permite a adoção de políticas humanitárias.

Em segundo lugar, podemos começar por “olhar” para os estrangeiros de maneira diferente, com empatia e solidariedade. Qualquer pessoa pode estar numa situação semelhante e a dignidade de cada ser humano está acima de qualquer outra consideração.

 

Nosso silêncio os mata!


Traduzido do espanhol por José Luiz Corrêa da Silva