Malditas sejam todas as cercas!

08.08.2020 - Rio de Janeiro, Brasil - Carlos Contente

Malditas sejam todas as cercas!
Dom Pedro Casaldáliga (Crédito da Imagem: CPT, Comissão Pastoral da Terra)

Nota de falecimento de Dom Pedro Casaldáliga

 

Faleceu na manhã de hoje, aos noventa e dois anos de idade, na cidade de Batatais (SP) Dom Pedro Casaldáliga, CMF, bispo emérito de São Félix do Araguaia. Espanhol naturalizado brasileiro, foi uma das figuras da maior relevância da Teologia da Libertação, corrente da Igreja Católica que tem como um dos grandes expoentes o Leonardo Boff e que carrega os princípios do socialismo, de emancipação da classe trabalhadora; inclusive com atuação relevante no enfrentamento das ditaduras na América Latina e depois delas, na construção dos processos democráticos e na organização popular.

Na década de 1970, ajudou a fundar o Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Sofreu ameaças de morte inúmeras vezes e ameaças de expulsão do país, durante a ditadura empresarial-militar, tendo sido defendido por Dom Paulo Evaristo Arns. Em 1994 apoiou a revolta de Chiapas, no México, afirmando que quando o povo pega em armas deve ser respeitado e compreendido. Em 1999 publicou a “Declaração de Amor à Revolução Total de Cuba”. No ano 2000, foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Campinas. Em 13 de setembro de 2012, recebeu honraria idêntica da Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

Adotou como lema para sua atividade pastoral: Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar. É poeta, autor de várias obras sobre antropologia, sociologia e ecologia.

Dom Pedro Casaldáliga, encontrava-se há alguns dias em estado de saúde fragilizado devido a problemas respiratórios agravados pela doença de Parkinson.

Eduardo Alves, fundador do Instituto Maria João Aleixo (IMJ) e colaborador da Pressenza relata:

“Pode ser que os jovens deste tempo não tenham conhecido Dom Pedro Casaldáliga , figura fundamental na defesa de vida que existe neste mundo e no Brasil, do lado de todas as pessoas que estavam querendo um outro mundo, fazendo acontecer, do lado de quem estava sofrendo a tirania e a opressão que este Estado impõe a cada uma destas pessoas. Este homem trilhou. E quando eu era muito jovem, eu fui em um encontro de música da teologia da libertação onde ele estava e disse: – “…pode me xingar de filha da puta, só não pode me chamar de latifundiário”.

Eu nunca mais esqueci isto, eu tinha uns 14 anos e este homem morreu com 92, mas o que ele plantou não morreu, o que ele plantou surge, deste lodo que é o capitalismo, com força de sobrevivência como flor de lótus, este homem plantou no coração, na força e no corpo da gente, empenho, para a gente se mobilizar, se organizar, se formar, para construir um mundo melhor. Precisamos avançar. Este homem não era um homem da resistência, era um homem da superação. É este tempo que este cara representa. Mais do que um bispo, um padre, mais do que qualquer religião específica, este foi um homem vinculado a todas as ações que defendiam a vida,  todas as ações que defendiam o compromisso com o verdadeiro e com a melhor qualidade de vida, este foi o homem que hoje faleceu, mas que nunca morrerá em nós, porque o que ele trouxe é inspiração para construir um mundo melhor.”

Claudia Gianotti, do Núcleo Piratininga de Comunicação, em homenagem a sua memória, recomenda a quem deseja conhecer sua trajetória, o filme Descalço sobre a terra vermelha (filme de 2012, de direção de Oliol Ferreira) e relembra sua fala:

“Malditas sejam todas as cercas!
Malditas todas as propriedades privadas que nos privam de viver e de amar!
Malditas sejam todas as leis, amanhadas por umas poucas mãos, para ampararem cercas e bois e fazerem da terra escrava e escravos os homens!”
D. Pedro Casaldáliga, bispo do Araguaia (1928 – 2020)

Mauro Viana, colaborador da Pressenza nos sugere que talvez seja assim que ele deseje ser lembrado como na sua poesia musicada por Elia Fleta Mallollarge:

Eu morrerei de pé como as árvores.
Me matarão de pé.
O sol, como testemunha maior, porá seu lacre
sobre meu corpo duplamente ungido.

E os rios e o mar
serão caminho
de todos meus desejos,
enquanto a selva amada sacudirá, de júbilo, suas cúpulas.

Eu direi a minhas palavras:
– Não mentia ao gritar-vos.
Deus dirá a meus amigos:
– Certifico
que viveu com vocês esperando este dia.

De golpe, com a morte,
minha vida se fará verdade.


Segundo informações da Comissão Pastoral da Terra o velório de Dom Pedro acontecerá em três locais:

1 – Em Batatais – SP
Dia 08 de agosto de 2020, a partir das 15 horas na capela do Claretiano – Centro Universitário de Batatais, unidade educativa dirigida pelos Missionários Claretianos, situada à rua Dom Bosco, 466, Castelo, Batatais, São Paulo, Brasil. Informações: 16.3660-1777.
A missa de exéquias será celebrada, em Batatais, no dia 09 de agosto de 2020 às 15h, no endereço acima e será aberta ao público em geral, além de ser transmitida ao vivo pelo link https://youtu.be/spto8rbKye0. O link estará aberto para que outros veículos de comunicação possam retransmitir.

2 – Em Ribeirão Cascalheira – MT
No Santuário dos Mártires, a partir do dia 10 de agosto, sem previsão de horário de chegada do corpo. Informações: telefone 66 – 98420 – 2253 Pe. Tiago.

3 – Em São Félix do Araguaia – MT
No Centro Comunitário Tia Irene. O sepultamento será em São Félix do Araguaia.
Sem previsão de dia, pois antes passará por Ribeirão Cascalheira. Informações: com Pe. Saraiva telefone: 31 – 99677 – 4875.

Categorias: Ámérica do Sul, Humanismo e Espiritualidade
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