Mostra de Poesia vai premiar autores de periferias brasileiras

05.07.2020 - Belo Horizonte, Brasil - Michele Campos

Mostra de Poesia vai premiar autores de periferias brasileiras
COMUNIDADES

 

 

Você acredita na produção artística? Nas potências periféricas? O que pode contribuir para valorização e potencialização da arte nas favelas? E das pessoas que vivem nelas? À partir destas questões, a Mostra Poesia Favela Resiste lançou uma ação que premiará artistas moradores de periferias em todo o Brasil.

A plataforma multimídia Favela Revela foi lançada simultaneamente com a Mostra Poesia Favela Revela, que acontece durante o mês de Julho, tendo início com a campanha de financiamento coletivo e inscrições de artistas. Em seguida, serão selecionadas 20 obras para votação no Instagram. As três obras eleitas ganharão um prêmio mínimo de R$ 50 cada, podendo chegar até R$1200, caso a campanha alcance a sua meta. As inscrições vão até 11 de julho, e a mostra termina em 30 de Julho.

Segundo a coordenadora do projeto, a bacharela em artes, educadora, mestranda em dança e produtora cultural, Natureza França, a importância do projeto é “protagonizar as pessoas da periferia, pois elas estão em todas as etapas de produção. Elas são os artistas, as produtoras de conteúdo, as organizadoras, tudo é feito pela periferia. A periferia é a maioria, e a democracia é o povo”.

Moradora do bairro de Tubarão, no subúrbio ferroviário de Salvador, Natureza diz que “os estigmas que a favela, as regiões periféricas, quilombos e aldeias carregam são tão fortes que mexem com a auto-estima das pessoas. Então você escuta, através deste instrumento que é a Favela Revela, as vozes da periferia dizendo o quanto aquilo é necessário para as suas vidas e de outros”.

Para a coordenadora, o projeto revela oportunidades. “Quando eu vejo como exemplo um jovem preto, gay, capoeirista, da periferia de São Paulo protagonizando a cena, eu percebo que meu colega aqui do lado pode. Eu, enquanto mulher da periferia, vou poder também. Você vai vendo elementos na formação social dessas pessoas com os quais outras pessoas se identificam. Precisamos de um país com pessoas com maior auto-estima, para que acreditem mais nelas mesmas”.

Política Cultural de Ação Emergencial

Devido à pandemia, a Mostra Poesia foi lançada online. A educadora avalia que este momento de isolamento social apresenta muitas oportunidades, devido ao acesso ao conhecimento por meio do celular e da internet.

“Você permite que, de onde elas estiverem, possam acessar conteúdos, conhecimentos, coisas que falem sobre si, e ao mesmo tempo oferece uma oportunidade de trazer a sua potência criativa, esse lugar de fala enquanto pessoa da periferia. Trazemos a oportunidade de revelar isso e ainda de ter o retorno financeiro, que vai agir diretamente na política cultural independente, de ação emergencial, gerando dados para as políticas públicas”, diz.

Em relação ao financiamento coletivo, ela acredita ser um meio para o fortalecimento financeiro. “Quando estabelecemos um valor mínimo para premiar essas pessoas, e jogamos pra sociedade a co-responsabilidade, dizendo pra quem tem recursos que é uma responsabilidade sua oferecer para quem não tem. Não adianta falar de racismo, machismo e desigualdade social se o seu bolso não coça para o dinheiro sair. Não estamos falando de ninguém ficar sem, mas de diminuir as desigualdade em ações práticas com a arte, o conhecimento e a cultura”.

Ignorância: doença histórica

Natureza avalia que o trabalho do Favela Revela é tentar diminuir as diferenças no acesso ao conhecimento, à informação e à história, “uma vez que nossos jovens não estão nos equipamentos formais de educação, onde ainda se pratica uma educação colonial, racista, machista e homofóbica. Estamos aproveitando para desconstruir muita coisa”.

Para a coordenadora, as articulações do projeto ocorrem no sentido de perceber o território e sua história, o sujeito que atua nesse espaço e as suas resistências.  “É saber sobre o que não foi descoberto, mas invadido, e que a miscigenação é uma proposta muito estratégica, de diluir nossas culturas, de matar nossos conhecimentos e saberes. Falando do lugar de pesquisadora, arte-educadora, agente cultural e produtora, nós estamos trabalhando para curar uma doença que é histórica, que já matou muito e continua matando nossa gente, que é a ignorância”.


Link para Formulário de Inscrição e Vakinha Virtual: https://campsite.bio/favelarevela

Instagram:  @favela.revela | Facebook: fb.com/afavelarevela

Categorias: Ámérica do Sul, Cultura e Mídia
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