Mais um líder Guajajara é morto no Maranhão

02.04.2020 - São Paulo, Brasil - Mídia NINJA

Mais um líder Guajajara é morto no Maranhão
(Crédito da Imagem: Midia NINJA)

O professor e líder indígena Zezico Rodrigues Guajajara foi encontrado morto nesta terça-feira (31) em uma estrada do município maranhense de Arame, na Terra Indígena (TI) Arariboia. Ele retornava de moto à sua aldeia, Zutiuá, quando foi alvejado por tiros de espingarda. O assassino e a motivação do crime seguem desconhecidos.

Zezico era diretor do Centro de Educação Escolar Indígena Azuru e um dos líderes da Coordenação da Comissão dos Caciques e Lideranças da TI Arariboia (CCOCALITIA). Em entrevista ao portal Amazônia Real em novembro de 2019, Zezico destacou que as violências contra os Guajajara são denunciadas ao governo estadual e federal, mas seguem sem punições e sem respostas o que incentiva perpetuação dos ataques.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) solicitou o apoio urgente da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e da Polícia Federal. A Força Nacional também foi acionada, mas disse que não pode atuar no caso porque o decreto assinado em novembro pelo ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) não menciona a TI Arariboia, apenas a TI Canabrava. Após os homicídios no final de 2019, a FN foi enviada para reforçar a segurança dos indígenas na região – Zezico é o quinto Guajajara assassinado em pouco mais de quatro meses.

A primeira morte foi do ‘Guardião da Floresta’ Paulo Paulino Guajajara, em novembro de 2019, dentro da TI Arariboia. Em seguida, em 7 de dezembro, foram mortos os caciques Firmino Prexede Guajaja, da aldeia Silvino, na TI Canabrava; e Raimundo Benício Guajarara, da aldeia Descendência, da TI Lagoa Comprida. Dias depois, em 13 de dezembro, Erisvan Guajajara, de apenas 15 anos, foi encontrado esquartejado na sede do município de Amarante.

Para a Comissão de Direitos Humanos da OAB Maranhão, “um verdadeiro massacre de indígenas está em curso no Maranhão” e que tais crimes não podem mais ser vistos como casos isolados. Em nota, afirmaram que “há uma guerra produzindo uma rede de violência que precisa ser enfrentada, desvendada e punida com rigor pelos sistemas de segurança pública em conjunto”.

Categorias: Ámérica do Sul, Assuntos indígenas, Direitos Humanos
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