Como mulheres estão transformando as histórias em quadrinhos com representatividade

02.02.2020 - São Paulo, Brasil - Redação São Paulo

Como mulheres estão transformando as histórias em quadrinhos com representatividade
Arte de Thaiz Leão do projeto Mãe Solo (@a_maesolo) (Crédito da Imagem: Vanessa Nicolav)

No lugar de princesas e heroínas invencíveis, problemas cotidianos, corpos reais e histórias não contadas

 

No dia 30 de janeiro é celebrado o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos. A linguagem, que ficou conhecida como nona arte, e durante maior parte da sua história foi direcionada prioritariamente para o público masculino, hoje passa por transformações.

Segundo pesquisa realizada pela agência Graphic Policy com usuários do Facebook, cerca de 46% do público dos quadrinhos é do sexo feminino. Entre os profissionais do gênero literário, as mulheres representam pouco mais de 35%.

Thaíz Leão, de 29 anos, é uma delas. A designer e ilustradora descobriu aos 23 estar grávida e a forma que encontrou para lidar com os desafios de viver uma maternidade sozinha foi comunicar seu dia a dia por meio de histórias em quadrinhos.

Assim nasceu o projeto Mãe Solo, a página na internet em que publica tirinhas de humor. O sucesso imediato das histórias já resultou a publicação de dois livros. Segundo ela, o público têm se aproximado muito da produção de quadrinhos de mulheres porque as representações são mais humanas.

“Eu fiz quadrinhos para me explicar para mim mesma. E quando eu vi o feedback, as pessoas [que acessam a página] queriam tanto olhar para alguém, não importa que fosse um desenho, para falar é isso que eu vivo na minha casa todo dia, essa sou eu,” afirma a quadrinista.

A carioca Camila Padilha, 23 anos, autora da página Aliens of Camila , também acredita que identificação é o principal motivador do alcance das produções dos quadrinhos feitos por mulheres.

Para ela, o humor é outro ativador importante dessas novas representações. “A minha motivação é fazer as meninas rirem das coisas que a gente passa. Bora falar de menstruação, de sexualidade, de assédio. Bora falar de coisa séria, mas vamos rir também. A gente tenta por um peso na balança para equilibrar as coisas e fazer humor com quadrinho”, afirma a quadrinista que atualmente também trabalha com animação.

 

Camila Peçanha, criadora da página @aliensofcamila (Foto: Vanessa Nicolav)

A descoberta e afirmação da própria identidade têm sido marca das produções femininas.

Outra autora que trilhou a busca de suas raízes por meio dos quadrinhos foi Marília Marz, de 28 anos. Em 2018, a quadrinista, que trabalha também com montagem de exposições, lançou o quadrinho Indivisível, uma narrativa que discute as culturas negra e oriental presentes no bairro da Liberdade, em São Paulo.

A publicação foi uma das cinco vencedoras do concurso de publicações Des.Gráfica 2018, organizado pelo Museu da Imagem e Som (MIS). Para ela, a diversidade está aparecendo na produção de quadrinhos, principalmente por conta das redes sociais. “São vários grupos que antes não se viam, agora querem se ver e não vão deixar deixar barato, quando não se veem ou quando se veem de forma equivocada, o que ainda acontece muito”, conclui a autora.

 


A criadora do Indivisível, @mariliamarz (Foto: Vanessa Nicolav)

Categorias: Ámérica do Sul, Cultura e Mídia, Gênero e feminismos, Opinião
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