No avançado século da tecnologia, a misoginia e o machismo ainda são o maior desafio para a liberdade feminina

CAROLINA VÁSQUEZ ARAYA

Nada está dito. Inclusive a participação política, um dos direitos elementares em qualquer sociedade, representa um obstáculo para a metade da população do mundo, em estruturas desenhadas com visão patriarcal e profundamente antidemocrática. No avançado século da tecnologia a marginação das mulheres continua latente, fora de toda lógica e em aberta contradição com os supostos avanços da Humanidade.

Esta realidade fica plasmada em leis restritivas sobre um dos aspectos mais íntimos de um ser humano como é a saúde sexual, sobretudo em uma crescente influência de doutrinas cujos preceitos colocam a mulher em uma posição dependente, subordinada e abertamente inferior.

Quando se enfatiza a absoluta urgência de estabelecer parâmetros a partir dos estamentos políticos e sociais para eliminar a violência contra a mulher, nos encontramos com um cenário cada vez mais restritivo em temas como a educação em igualdade, o direito à interrupção de gravidezes provocadas por violação, o direito à equidade em salário, participação política, acesso ao crédito, eliminação de toda forma de discriminação institucional e de qualquer outra índole e, de maneira muito pontual, a proteção de meninas e adolescentes e mulheres adultas contra essas limitações que fazem da marginação uma forma de vida.

Aquelas que experimentam com maior violência o choque com a realidade imposta a partir deste sistema são as meninas e adolescentes, enfrentadas desde seu nascimento à discriminação e à violação de sua integridade física, sexual e social.

Privadas da capacidade de defender-se da agressão nos diferentes cenários de seu entorno, desde muito cedo devem aceitar a desigualdade como norma de vida, mesmo quando pertençam a um círculo privilegiado dentro de sua comunidade.

 

 

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