Secretário de Política Econômica é o novo presidente do BC argentino

26.09.2018 - Buenos Aires, Argentina - Agencia Brasil

Secretário de Política Econômica é o novo presidente do BC argentino
(Crédito da Imagem: Juan Francisco Rojas Henriquez)

Por Monica Yanakiew

Guido Sandleris substituirá Luis Caputo, que renunciou nesta terça

O presidente do Banco Central da Argentina, Luis Caputo, renunciou ao cargo nesta terça-feira (25), em meio à quarta greve geral contra o governo de Mauricio Macri e a uma renegociação do acordo fechado, em junho, com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A renúncia, por motivos pessoais, foi apresentada no dia em que Macri discursa perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.O sucessor de Caputo será o atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guido Sandleris.

Caputo é o segundo presidente do Banco Central a renunciar desde que a Argentina recorreu ao FMI para ajudar a frear a disparada do dólar, em maio. O primeiro, Federico Sturzenneger, deixou o cargo dias após anunciar um acordo “histórico” – o primeiro, em 13 anos, que colocou à disposição do país US$ 50 bilhões. Sturzenneger foi substituído por Caputo, que na época era ministro das Finanças. Caputo assumiu o cargo em 14 de junho, com o dólar valendo 27 pesos.

Em agosto, houve nova corrida cambial, e a moeda norte-americana passou de 40 pesos, até se estabilizar em torno de 37 pesos.

Para conter a segunda disparada do dólar, o governo argentino pediu que o FMI renegociasse o acordo fechado dois meses antes. Pelo acordo atual, o país receberia um adiantamento de US$ 15 bilhões, para estabilizar o mercado cambial. As demais parcelas seriam liberadas a cada três meses, sempre e quando o país cumprisse as metas estabelecidas – entre as quais, a redução do déficit fiscal (para 2,7% este ano e 1,3% em 2019).

Agora a proposta é antecipar os desembolsos, para recuperar a confiança dos mercados. Em troca, Macri prometeu zerar o déficit fiscal no ano que vem – o que representa realizar cortes nos gastos públicos em ano eleitoral.

Ontem (24), véspera de seu discurso nas Nações Unidas, Macri deu entrevistas a formadores de opinião publica assegurando que dará continuidade às políticas econômicas favoráveis aos mercados: o governo não vai controlar o câmbio, nem gastar mais do que arrecada, apesar de o próprio Macri ser candidato à reeleição em 2019. Macri disse também que não há o menor risco de calote na dívida, como fez na crise de 2001. No dia seguinte, o presidente do Banco Central renunciou.

Em Buenos Aires, as ruas amanheceram vazias e os bancos, fechados. A greve geral, contra o ajuste e o FMI, foi convocada pelas principais centrais sindicais, que reclamam aumentos salariais para enfrentar a inflação, que, segundo as estimativas, pode chegar a 42%.

Categorias: Ámérica do Sul, Política
Tags: , , ,

Boletim diário

Indique o seu e-mail para subscrever o nosso serviço diário de notícias.


Milagro Sala

Canale youtube

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

Arquivo

Except where otherwise note, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International license.