Livro aborda os avanços e limites das Revoluções Contemporâneas Paradigmáticas

07.03.2017 - Redação São Paulo

Livro aborda os avanços e limites das Revoluções Contemporâneas Paradigmáticas

Por Barthon Favatto Jr.

2017 é um ano emblemático. Há um século, em 1917, a autocracia czarista era colocada abaixo pelas revoluções de fevereiro e outubro na Rússia. Levando ao poder o Partido Bolchevique, de Vladimir Lênin. Naquele mesmo ano, do outro lado do mundo, a Revolução Mexicana dava seus últimos sopros. Passada a fase de radicalização popular, que consagrou lideranças como Emiliano Zapata e Pancho Villa, o país que havia se redescoberto nas entranhas de um sangrento e plural conflito se reinventava promulgando e apresentando ao mundo uma Constituição avançada para a época. Tratando-se da primeira Carta Magna da História a garantir um amplo espectro de direitos sociais.

Os impactos dessas duas revoluções – as primeiras do século XX – não ficaram limitados somente aos países que as protagonizaram. Seus ecos transpassaram os limites de porosas fronteiras geográficas, fazendo-se sentir em outras partes e contribuindo para forjar a história do século que o historiador Eric Hobsbawn ousou chamar de “breve”. Como resultado, em menos de uma centena de anos, homens e mulheres de distantes partes do mundo se viram envolvidos ou assistiram atônitos a eclosão e o término de revoluções. Todas, em maior ou menor grau, influenciadas ou devedoras a processos convulsionais anteriores. Em especial, ao russo. Algumas, no entanto, portadoras de um conjunto de excepcionalidades que as tornaram únicas e paradigmáticas.

Sob o emblema desse centenário e das reflexões por ele suscitadas, a Editora da Universidade Estadual de Maringá (EDUEM) junto ao Programa de Pós-graduação em História (PPH) da universidade lançam um título inédito no mercado editorial brasileiro: o livro “As Revoluções Contemporâneas Paradigmáticas” (2016, 245 páginas). Organizado pelo Prof. Dr. Carlos Alberto Sampaio Barbosa (UNESP/Assis) – atualmente, uma das mais reconhecidas autoridades acadêmicas brasileiras nos estudos sobre a Revolução Mexicana – o livro conta com seis capítulos. Cada qual versando sobre uma revolução paradigmática do século XX, e, assinado por um especialista nacional de renome. Todos, sem exceção, estudiosos dos conflitos que marcaram o “breve século” e professores em prestigiadas instituições brasileiras.

Entre os processos revolucionários abarcados, para além das já mencionadas Revolução Russa e Revolução Mexicana, assinadas com textos respectivamente escritos pelos historiadores Paulo Cesar Gonçalves (UNESP/Assis) e Carlos Alberto Sampaio Barbosa, a obra conta ainda com capítulos sobre a Guerra Civil Espanhola, de Rafael Hagemeyer (UDESC), sobre a Revolução Chinesa, de Everaldo de Oliveira Andrade (USP), e, sobre a Revolução Cubana, com texto de Sílvia Cezar Miskulin (UMC). Há ainda um capítulo que abre a obra sobre a Comuna de Paris, assinado pelo Prof. Alexandre Samis, do Colégio Pedro II, que confere ao processo francês ocorrido no XIX certo protagonismo ao esboçar as temáticas reivindicatórias e as estruturas acionais que balizaram uma boa parte das revoluções do século XX, no Ocidente.

A obra é publicada no momento certo e endossada por mãos especializadas para um amplo público, que vai além do consabido leitor acadêmico. As escritas fluídicas e didáticas não ofuscam a profundidade das abordagens e o rigor dos debates. Aliás, alimentam-nos. De igual maneira, a leitura suscita a compreensão sobre os limites e avanços de cada uma dessas revoluções modelo. Uma vez que realça importantes diferenças e as especificidades relativas à organização, às lideranças, e, sobremaneira, às ideologias que permearam esses processos revolucionários. Num momento em que urge a necessidade de lançar luz sobre a presente organização e o futuro das lutas e dos movimentos sociais no Brasil e no Mundo, “As Revoluções Contemporâneas Paradigmáticas” vem à luz no sentido de propor um balanço produtivo e intelectualmente honesto sobre o itinerário de um século de lutas sociais. Trata-se, sem sombra de dúvidas, de uma obra historiográfica envolvente e necessária ao nosso tempo.


Barthon Favatto Jr. é historiador e professor de História das Américas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Autor do livro “Entre o Doce e o Amargo: memórias de exilados cubanos” (Alameda, 2014).

 

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