Violência contra juventude negra é tema de concurso nacional de reportagem e vídeo-série -Inscrições até 15/12/2016

05.12.2016 - Brasil - Agência Patrícia Galvão

Violência contra juventude negra é tema de concurso nacional de reportagem e vídeo-série -Inscrições até 15/12/2016
(Crédito da Imagem: revistaafirmativa)

Cerca de 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados todos os anos no Brasil. São 63 por dia, um a cada 23 minutos. Os números são do Mapa Da Violência de 2014, produzido com base em números oficiais do Ministério da Saúde. Resgatar as histórias de vidas abreviadas e reduzidas em estatísticas e problematizar as diversas formas de violências que atingem a juventude negra brasileira são objetivos do projeto “A Juventude Comunica o Direito a Vida”, lançado pela Revista Afirmativa.

A iniciativa premiará reportagens inéditas de jornalistas recém-formados e estudantes de jornalismo. Os três primeiros colocados serão premiados com R$ 2.000.00, R$1.200 e R$500,00, respectivamente, e terão seus textos publicados no portal da revista. Já o material selecionado em primeiro lugar também será veiculado na edição impressa, que terá 50% de sua tiragem distribuída gratuitamente em cursos pré-vestibular comunitários e articulações de jovens negros da Bahia.

Os apaixonados por séries tem a oportunidade de criar seu próprio roteiro e participar de todas as etapas de produção de uma vídeo-série, lançada no Youtube. Os proponentes das primeiras três propostas selecionadas passarão por oficinas de mídia livre, produção audiovisual e telejornalismo. A iniciativa contempla uma bolsa auxilio durante a realização do projeto.

“Na imprensa convencional temas como auto de resistência, violência obstétrica, protagonismo da mulher negra, costumam ser negligenciados. Iniciativas como este Prêmio, permitem que estes grupos ‘esquecidos’, ocupem o lugar de fala, o que inclusive é marca em nossa Revista” explica Jonas Pinheiro, um dos editores da Afirmativa.

As inscrições podem ser realizadas até o dia 15 de dezembro deste ano no site da Revista Afirmativa . O projeto é financiado pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos e tem apoio do Odara Instituro da Mulher Negra e do coletivo de cinema negro Tela Preta. Confira os editais:

Imagem Revistaafirmativa.

Imagem Revistaafirmativa.

Campanha

No período que antecedeu o fim da escravidão no Brasil, o jornalismo já era utilizado na luta pela abolição, através de pasquins. Este é um dos principais registros do inicio das produções de mídia negra no país.

Hoje nas TVS, rádios, revistas, jornais e plataformas digitais, o compromisso na luta pela possibilidade de acesso a um jornalismo polifônico e auto representativo continua. A frente do projeto “A Juventude Comunica o Direito a Vida”, a Revista Afirmativa é um coletivo de mídia negra criado em 2013, que protagoniza ações sociais pelos direitos da juventude, direito à livre comunicação e à cultura.

“Ao longo da história, década por década, atualizamos as formas de produzir, compartilhar, noticiar. Em tempos em que o ódio racista, classista, fundamentalista cristão investe tudo contra nossa humanidade, as mídias negras e livres precisam estar cada vez mais fortalecidas”, é o que enfatiza Alane Reis, coordenadora do projeto.

A campanha de divulgação do projeto celebra a atuação de comunicadores negros. André Luís Santana, Camila de Moraes, Jamile Menezes, Juliana Dias, Luciane Neves, Maíra Azevedo, Midiãn Noelle, Mônica Santana, Monique Evelle, Naiara Oliveira, Rita Batista, Vânia Dias e Yuri Silva são os profissionais que compartilharam suas imagens, trajetórias e opiniões para fortalecer e dar vida a iniciativa.

“Todo jornalista tem o dever de combater o racismo e todas as formas de preconceito que têm matado os nossos jovens. Isso não é militância política pura e simples como já tentaram depreciar essa ação ao longo do tempo, mas o compromisso com a sua ética profissional e responsabilidade social”, afirma Cleidiana Ramos, que atua como jornalista do projeto Flor de Dendê.

Opinião semelhante compartilhada pela jornalista Midiã Noelle. “Ser jornalista é uma tarefa árdua, desafiante, que requer ética e foco para garantir que as informações sejam transmitidas de forma correta e coerente à população. E ser jornalista negro nos dá o diferencial de lutar por direitos e, contra o racismo, a partir da nossa própria percepção e sobrevivência cotidiana”, conclui.

Acompanhe a campanha pelo Facebook e Instagram @revistaafirmativa

Categorias: Ámérica do Sul, Cultura e Mídia, Diversidade
Tags: , , , , , , , , ,

Boletim diário

Indique o seu e-mail para subscrever o nosso serviço diário de notícias.


Milagro Sala

Canale youtube

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

Arquivo

Except where otherwise note, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International license.