Reflexões sobre o terremoto na Itália e o novo mundo

02.09.2016 - Evelyn Rottengatter

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Reflexões sobre o terremoto na Itália e o novo mundo

O terremoto ocorrido na noite da ultima terça-feira (23 de agosto) em Amatrice, região central da Itália, trouxe tristes lembranças. As feridas de Aquila, onde um terremoto igualmente violento ocorreu em 2009 deixando 308 pessoas mortas e 67.000 desabrigadas, ainda não foram cicatrizadas. Parte da população ainda vive nas áreas destruídas e o centro de Aquila assemelha-se a uma cidade abandonada. A noite de terça-feira, de acordo com as primeiras reportagens, deixou até o momento ao menos 120 mortos e milhares de desabrigados.

Bem, alguns dizem que esse é o caminho natural. Um terremoto é uma força maior e não há nada que possamos fazer. Outros, que é a revolta da mãe natureza. De qualquer maneira, será realmente significativo verificar como o governo atual agirá dessa vez, se teremos novamente apenas promessas vazias, fundos sendo sugados até o fim sem que nada chegue à parcela mais atingida da população, os mais frágeis, deixando-os desamparados. O percurso neoliberal do primeiro-ministro Matteo Renzi e seu governo não deixa muita esperança. Infelizmente, é o que acontece com quase todos os governos atuais e o nosso (Alemão) não é uma exceção.

No entanto, devemos enxergar isso como uma chance de que realmente podemos reconstruir lares, cicatrizar feridas e proporcionar esperança, não obstante e em desafio a um sistema desumano que há muito tempo não se preocupa mais com nossas vidas. Se nós nos unirmos, especialmente em momentos de caos e sofrimento, uma força transformadora poderá surgir. Um sábio mestre disse certa vez: “Os seres humanos devem ser pressionados a fim de atingir a grandeza”. Este momento certamente chegou. A humanidade está sob pressão. A conquista política por parte das multinacionais, as inegáveis mudanças climáticas, a abolição da democracia, a crise dos refugiados, a guerra e o sofrimento…E agora na Itália o medo de que as pessoas fiquem desamparadas novamente diante de uma catástrofe dessas. Trata-se também de um problema psicológico: como é possível alguém ter esperança, se os políticos, que determinam tudo, provaram repetidamente, sem sombra de dúvida, que não são merecedores de confiança?

Mais: esta é certamente a deficiência dos políticos, da mídia, que apenas apresenta o que é conveniente e de um sistema que despreza a vida em suas diversas formas, que lidera o crescimento vigoroso de uma raiva em nós. Um desejo forte de sobrevivência, a união de forças consideradas vencidas, estão agora sendo postos em liberdade. Amatrice é apenas um exemplo. Todos os dias fatos horríveis acontecem no mundo inteiro e todos são oportunidades que podemos usar para nos reorganizarmos fora desse sistema, para nos unirmos, ajudarmos uns aos outros, pensar, criar e colocar em ação novas direções. Soluções alternativas, estruturas inovadoras, práticas sustentáveis, ações ecológicas, conectarmos e relacionarmo-nos uns com os outros…esse é o trampolim para um mundo novo. E a ligação será feita de solidariedade, empatia e calor humano.

Algo novo apenas pode vir a existir se permitirmos que o que é velho morra. Eis o ciclo sagrado da vida. Está na hora de mudarmos a direção, organizarmo-nos ao invés de esperar que a ajuda venha do alto. É tempo de mobilizar e colocar em uso nossas forças criativas. Uma vez que elas surjam em nós, ninguém nos poderá arrancá-las. Elas não dependem de decisões políticas, comitês ou reuniões de diretoria. Elas são nossa verdadeira potência e, se permitimos, emanam de nossos corações, se permitimos. Nós podemos ser os idealizadores e construtores do nosso mundo. Um mundo novo além do dinheiro e da ganância, das fronteiras nacionais ou culturais. Aqueles que já vivem nele, sabem do que estou falando…Esse mundo já existe em muitos de nós e quem vislumbrá-lo com o coração ao menos uma vez, ficará apaixonado, dedicará sua vida em sua construção. Somos um número cada vez maior de pessoas. Em toda a parte. Todos os dias.

“Temos duas escolhas. Podemos ser pessimistas, desistir e facilitar para que o pior aconteça. Ou podemos ser otimistas, aproveitar as oportunidades que certamente existem e ajudar a fazer do mundo um lugar melhor.” Noam Chomsky

Traduzido do inglês por Karina Rebouças

Categorias: Humanismo e Espiritualidade, Opinião

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