Agora estão atrás de Raúl Noro

14.08.2016 - Mariano Quiroga

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Agora estão atrás de Raúl Noro

Raúl Noro, companheiro de toda vida de Milagro Sala, soube nesta manhã que havia um mandado de prisão contra ele. Por causa de sua saúde precária, decidiu junto com seus advogados que era melhor ir para a corte e pedir prisão domiciliar. Depois de se apresentar diante das autoridades, ele teve que ser levado a uma clinica para conduzir estudos para confirmar a recomendação de não ficar detido numa prisão.

Desde 16 de janeiro, Milagro Sala, membro do Parlamento Parlasur, está privada de sua liberdade. As acusações contra ela, em muitos casos, foram extraídas por meio de extorsão e coerção. Seu crime é ter pedido, ao criar um campo pacífico no centro de San Salvador de Jujuy, uma entrevista com o recentemente eleito governador Gerardo Morales, para apoiar o trabalho de todas as famílias cooperadas inscritas na Tupac Amaru e outras organizações implementando programas de habitação, saneamento e obras públicas. O pretexto para sua detenção foi “incitação à violência”.

A história de Milagro Sala foi motivada pelo conflito contra a injustiça, primeiro em sindicatos e depois por meio da organização de centenas de copos de leite para alimentar crianças em Jujuy, uma das províncias mais pobres da Argentina. Isso aconteceu ao longo dos anos 90 em resistência aos esquemas neoliberais que levaram à fome e aos trágicos eventos em 2001.

Já no século XXI, uma organização de bairro foi criada na forma de cooperativas de trabalhadores conduzindo tarefas necessárias para seu povo, enquanto eles sofriam a negligência pelo Estado. Dessa modo, eles construíram casas, parques aquáticos, hospitais, escolas primárias e secundárias, pré-escolas, fábricas têxteis, de cimento, serralherias e muito mais. A associação Tupac Amaru se tornou um exemplo de dignidade, organização e trabalho em conjunto. Eles fizeram isso por muito menos dinheiro que companhias privadas teriam feito, criando muito mais trabalhos e de melhor qualidade.

Ao chegar ao poder, Gerardo Morales sabia que ele tinha que destruir Tupac Amaru se quisesse dar continuidade ao plano de Aliança Cambiemos [do partido poítico de Mauricio Macri, atual presidente na Argentina] para destruir todo o progresso feito durante os governos de Nestor e Cristina [Kirchner]. Para fazer isso, ele criou uma Corte Suprema enviesada, alterou o funcionamento da justiça e criou uma equipe para perpetrar esa perseguição sistemática baseada em denúncias bizarras entregues em cascata, de forma que a líder social pudesse ser mantida ilegalmente em prisão preventiva.

Raúl Noro, jornalista e ativista humanista por décadas, foi preso pelo ditador Onganía e também pelo genocida Videla, para terminar em exílio. Algumas semanas atrás, nós o ouvimos pedindo que apoiássemos a Milagro Sala, zelássemos pela construção coletiva em Tupac Amaru e que, em junho, escolhêssemos novamente Milagro Sala como o sua líder incontestável. Sua preocupação era por “La Flaca”, a quem também escutamos numa entrevista de rádio falando sobre seu desconforto de que sua amada Jujuy não tinha “nenhuma justiça” e declarou que esse estado das coisas até tiraram seu desejo de continuar vivendo.

Noro foi vitima de invasões arbitrárias e selvagens em sua casa, o que deixou paredes e corredores danificados, além de goteiras; ele recebeu ameaças e assédio constante. Hoje, junto com Noro, mais três membros da organização foram presos, acusados de “fraudes na administração pública e extorsão”.

Houve muitas manfestações contra as ações do governador Morales, tanto na Argentina quanto no restante do mundo.

Hoje, mais do que nunca, é necessário elevar nossas vozes e exigir o fim desta atitude de perseguição, que viola tanto os direitos humanos como as leis. Foi convocada pelo Comitê pela Liberdade de Milagro Sala para amanhã, sexta-feira, 15 de julho, às 10 da manhã em Riobamba, 34 na Cidade de Buenos Aires, uma conferência de imprensa para explicar a situação atual em relação às quatro pessoas detidas hoje e o restante de seus colegas encarcerados.

Compartilhamos uma mensagem gravada deixada por Raúl Noro, antes de ir para a corte nº 4 de Jujuy. (em espanhol)

Tradução do inglês por Lucas Murai

https://www.youtube.com/watch?v=RZmDSojPLdI

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos, Humanismo e Espiritualidade, Internacional
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