Guerra, especulação e novos modelos econômicos

17.04.2016 - Silvia Swinden

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Guerra, especulação e novos modelos econômicos

Em 2011 e 2014, noticiamos na Pressenza o papel que o “petróleo por euro” de Saddam Hussein pode ter tido na Guerra do Iraque, similar ao dinar de ouro do Gaddafi:

“Procurar entender o que está acontecendo na Líbia sem analisar a crise global corre o risco de simplificar demais a situação. Poderíamos dizer ‘A culpa é do petróleo, idiota!’ e, é claro, teríamos razão – mas apenas parcialmente. Gaddafi – que certamente não é um homem bom, mas não é pior que demais autocratas na região – cometeu o mesmo crime de Saddam Hussein. Tentou perturbar a hegemonia do dólar ao propor que transações da indústria petroleira fossem realizadas com o dinar de ouro, uma moeda semelhante ao euro, para toda a África. Era um plano bastante aplicável, principalmente porque Gaddafi estava sentado em uma grande pilha de ouro. Isso faria da África um continente financeiramente independente e menos disponível para explorações.

“De fato, alguns anos atrás Saddam havia movido suas transações de petróleo para o euro, e a OPEC estava considerando adotar esse modelo. Vários analistas acreditam que isso teria levado a uma queda de 40% no valor do dólar. E, então, os Estados Unidos começaram a falar sobre armas de destruição em massa, que, claro, a moeda era – pelo menos para o dólar.”

Novas revelações trazidas pelo cache do e-mail de Hillary Clinton acrescentaram mais detalhes ao que, à época, muitos consideraram ‘teorias da conspiração’.

Segundo o Foreign Policy Journal, e-mails recém-revelados mostram que o plano da Líbia para criar uma moeda baseada em ouro para competir com o euro e o dólar foi um motivo para a intervenção da OTAN:

A ameaça do ouro e do petróleo da Líbia aos interesses franceses

“Embora a Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, proposta pela França, tenha afirmado que a zona implementada sobre a Líbia pretendia proteger os civis, um e-mail de abril de 2011 enviado à Hillary com o título ‘O cliente da França e o ouro do Qaddafi’ revela ambições menos nobres.
“O e-mail identifica o presidente francês Nicholas Sarkozy como tendo liderado o ataque na Líbia com cinco objetivos específicos em mente: obter petróleo do país, garantir a influência da França na região, aumentar a reputação nacional do presidente, afirmar o poder militar francês e prevenir a influência de Gaddafi no que é considerada a ‘África francófona’”.

“Ainda mais assombrosa é a longa seção delineando a enorme ameaça que as reservas de ouro e prata de Gaddafi, estimadas em ‘143 toneladas de ouro e uma quantidade similar de prata’, representam para o franco francês (CFA) circulando como a principal moeda africana.”

Conforme os mercados começam a exibir sinais parecidos com os anteriores à queda de 2007/2008 (não poderia ser diferente, visto que o sistema bancário resistiu a todas as tentativas de separar seu lado especulativo da “economia real”) e a crise dos refugiados do Oriente Médio, provocada pela guerra, começa a aturdir o povo, é hora de rever a direção dos modos pessoais, nacionais e internacionais para organizar o sistema.
O surgimento de uma nova sensibilidade

… que coloque o valor dos seres humanos acima do dinheiro, propondo maneiras de garantir acesso à saúde, à educação e a necessidades básicas para todos. Isso inclui nos livrarmos da especulação, favorecendo a participação dos trabalhadores no gerenciamento e nos lucros, nas cooperativas, na renda básica universal e em muitas outras propostas partindo de organizações que visualizam um futuro aberto desde que consigamos tomar um novo rumo. O melhor jeito de lutar contra o terrorismo é criar um mundo livre de injustiça e discriminação. É possível que ainda tenhamos fanáticos, mas estes não terão seguidores.

Este é um momento para a não violência ativa: um motor para mudarmos o sistema sem ressentimento nem vingança, não importa o quão bravos estejamos com a ‘cúpula de Davos’. É primordial percebermos que há medo nas raízes da megaconcentração que testemunhamos hoje, para que possamos oferecer uma reconciliação como estratégia para trazê-los ao projeto em prol de um mundo diferente e mais humanizado. Também devemos resistir à pressão dos veículos de mídia de propriedade de corporações, que nos pintam como idiotas que nos juntamos às novas propostas: Plan B for Europe (DiEM25), Jeremy Corbyn, Podemos, Rethinking Economics, Indignados, Occupy e todos os movimentos antinucleares e antiguerras. Em resposta ao TINA de Margaret Thatcher (acrônimo de “there is no alternative”; em português, “não há alternativa”), devemos dizer WATA (“we are the alternative”, ou “nós somos a alternativa”).

Traduzido por Andresa Medeiros

Categorias: Economia, Entrevista, Não violência, Opinião
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