Obstetras querem reduzir número de cesáreas nos Estados Unidos

21.04.2014 - Paulo Genovese

Obstetras querem reduzir número de cesáreas nos Estados Unidos
(Crédito da Imagem: http://bit.ly/1tqgYWR)
Preocupação com a alta taxa de cesarianas levou à publicação recente de novas diretrizes para a prática. Brasil é campeão mundial no procedimento
por Redação RBA

São Paulo – O American College of Obstetricians and Gynecologists (Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia) e a Society for Maternal-Fetal Medicine (Sociedade de Medicina Materno-Fetal, ou SMFM), dos Estados Unidos, divulgaram, em conjunto, uma série de novas recomendações para a realização de partos no país. A preocupação das entidades é o dado de que um em cada três partos realizados nos Estados Unidos é feito por meio de cirurgia e essa taxa vem aumentando desde 1996.

Ambas, agora, pedem aos médicos para esperar mais pelo nascimento do bebê durante o parto normal e para que eles tentem alternativas à cesárea antes de decidir pela cirurgia. “Muitas mulheres podem simplesmente precisar de um pouco mais de tempo em trabalho de parto para dar à luz de maneira natural”, disse Aaron Caughey, membro do comitê responsável pelas novas diretrizes, em entrevista à BBC.

Entre as recomendações estão a de que os médicos usem pressão externa para tentar reposicionar o bebê quando ele não estiver de cabeça para baixo, em vez de recorrer imediatamente à cesárea. O documento também afirma que médicos não devem optar pela cesariana automaticamente em casos em que o bebê for muito grande.

As diretrizes apontam ainda que é preciso permitir que a mulher faça força para empurrar o bebê por pelo menos duas horas se já tiver dado à luz anteriormente, ou três horas, se for o primeiro parto. Em determinados casos, como quando há anestesia peridural, esse tempo pode ser ainda maior.

Outra recomendação é recorrer a técnicas que auxiliem na realização do parto normal, inclusive o uso de fórceps. As recomendações são dirigidas, principalmente, a mulheres que vão dar à luz pela primeira vez. Segundo Caughey, a maioria das mulheres que têm o primeiro filho por meio de cesariana acaba repetindo o procedimento nos partos seguintes. “E é isso que estamos tentando evitar”, afirma o médico.

Em 1996, a taxa de cesariana nos EUA era de 20,7%. Nos 13 anos seguintes, deu um salto de 60%, chegando a 32,9% em 2009 e permanecendo nesse patamar desde então. Os números variam de Estado para Estado. O Kentucky tem a taxa mais alta, de quase 40% dos partos, enquanto a do Alasca é de 22,6%.

“O rápido aumento nas taxas de cesariana de 1996 a 2011, sem clara evidência de redução concomitante em mortalidade materna ou neonatal, levanta expressiva preocupação de que a cesariana esteja sendo usada em demasia”, pontua o texto. Segundo o documento, a taxa de mortalidade entre mulheres submetidas a cesariana é de 13 mortes em cada 100 mil mulheres, mais de três vezes maior do que em partos normais.

Brasil é campeão

O Brasil é campeão mundial de cesarianas, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O percentual recomendado pela OMS é de 15% para partos com intervenções cirúrgicas. Segundo o Ministério da Saúde, a média nacional é de 52,2%.

A recuperação mais rápida após o parto normal é somente uma das vantagens que a mulher tem ao optar por essa modalidade. E o parto natural humanizado é uma alternativa que vem sendo procurada por muitas gestantes.

Na rede privada, o índice sobe para 83%, chegando a mais de 90% em algumas maternidades. A intervenção deixou de ser um recurso para salvar vidas e, passou, na prática, a ser regra.

Um caso extremo chamou a atenção há três semanas, quando a gaúcha Adelir Lemos de Goes, uma mãe de 29 anos de Torres (RS), foi obrigada, por liminar da Justiça, a ter o bebê por cesárea. Ela foi levada à força ao hospital quando já estava em trabalho de parto, provocando debates acalorados sobre até onde a mãe tem poder de decisão sobre o próprio parto.

O caso também levou centenas de pessoas a saírem às ruas, em cidades do Brasil e do exterior, para protestar. As manifestações foram batizadas de “Somos Todas Adelir – Meu Corpo, Minhas Regras.”

Categorias: América do Norte, Assuntos internacionais, Saúde
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