Como planejar uma revolução pacífica: Primavera Árabe, 15-M e Occupy Wall Street

26.10.2011 - Nueva York - Pressenza IPA

Como era de se esperar, a resposta dos mais importantes
meios de comunicação foi repudiante e ofensiva; o papel da mídia, como o da policia,
é tentar conter a onda de protestos. Para compreender o que ocorre no momento, é
importante saber que o OWS teve influência direta do movimento 15 de Maio (15-M)
da Espanha. Este, por sua vez, foi inspirado na Primavera Árabe, mas ampliou a forma
organizacional e a estrutura temática, colocando no centro da questão a Democracia
Real (que foi usada pelo Capital Financeiro Internacional). A visão se tornou global.

Muitos espanhóis fizeram parte do grupo que iniciou o planejamento nos meses que
antecederam o dia 17 de setembro (dia do início de OWS) e 15-M, em conteúdo e
processo, que serviram de modelo para o OWS. Não se pode dizer que o OWS foi
organizado “de fora”, trata-se apenas de uma nova geração se expressando e agindo
com sensibilidade, que entre outras coisas, é um fato global.

O 15-M preparou um documento inteligente e inovador, intitulado “Como planejar uma revolução pacífica” [http://takethesquare.net/2011/07/15/how-to-cook-a-pacific-
revolution/](http://takethesquare.net/2011/07/15/how-to-cook-a-pacific-
revolution/) a ser distribuído pelo grupo “expansão internacional ” para todos os
movimentos do mundo. Quem estiver tentado a menosprezar o OWS como um
bando de hippies desocupados, deveria dar uma olhada nesta “receita”, que mostra
detalhadamente a seriedade, profundidade e visão do movimento.

**Democracia Real – Horizontal e Descentralizada**

Entre outras coisas, o documento descreve a forma organizacional (usada pelo
OWS e 15-M), um esforço sério de construir uma democracia real desde a sua base.
Em vez de falar apenas sobre democracia real, procura-se praticá-la. O método
“Assembleia”, com os comitês assumindo várias funções (incluindo a coordenação,
mídia, médica, logística, respeito, etc.), é um experimento consciente de uma nova
forma de organização social. Ele é horizontal (sem líderes), inclusiva, distinta, flexível
e descentralizada. Em uma visita ao Liberty Plaza, pode-se ver este trabalho em ação.
É uma saída radical das formas institucionais/organizacionais do sistema, que mexe
com líderes e hierarquias, seja de partidos políticos, sindicatos, corporações, igrejas
ou ONGs. Acredito que esta forma horizontal resulta de um claro reconhecimento de
que a centralização abre caminho para todos os tipos de manipulações, corrupções e
“negociações” (ou seja, acordos por trás dos bastidores) que acabam traindo a causa.

**O Poder da Não-Violência Ativa**

Outra característica que define o movimento é a consciência total do significado e
poder da não-violência ativa. “Como planejar uma revolução pacífica” refere-se à (não-
violência) “Está em nosso DNA, nascemos com ela.” Uma seção intitulada “Revolução
pacífica” examina a não-violência de um ponto de vista tático e existencial/espiritual.
Ela trata do grande “poder humanizador do movimento. “O que aprendemos nestes
poucos meses – o que devemos valorizar e reforçar – é que construímos um movimento
com diversidade, inclusividade, uma forma horizontal, uma inteligência coletiva,
perspicaz, inspiradora e de grande atividade, ainda que pacífica e não-violenta; um
movimento que progride na auto-organização em nível local e internacional. Estes são
os elementos principais que nos permitem mudar o mundo e nossas próprias vidas”.

**Além das Queixas e Demandas de Curto Prazo**

Outra crítica recorrente sobre o OWS é a falta de “demandas” definidas. Talvez este
ponto não esteja bem claro. O movimento vai muito além de uma lista de exigências.
Ele tem o objetivo fundamental de mudar o mundo.

“Precisamos construir um movimento social com novos modelos econômico,
organizacional e de relações sociais, além do modelo de cultura, espiritualidade,
educação, saúde, etc.”.

Em vez dos velhos jogos de fazer exigências ou se satisfazer com grandes depoimentos,
esses movimentos estão construindo um mundo novo agora, começando desde a
base, a democracia real. Esta forma de ação social (descentralizada; com partes iguais
de crítica, reflexão e construção) é o oposto do sistema (centralizado, especulativo,
manipulativo, individualista), e por este motivo o sistema não consegue compreendê-
lo. Mas isso não importa. O sistema está sendo redirecionado, outro ponto que é bem
compreendido.

Não precisamos gastar muita energia lutando para que este sistema entre em colapso.
Isso ocorrerá naturalmente. Nosso trabalho poderá ser aplicado na construção de
novos modelos. Porque quando tudo entrar em colapso…, voltaremos à pré-história?

Esta visão vai além das queixas e demandas de curto prazo; existe um significado que
não depende do “sucesso”. Trata-se de dignidade humana e o valor de cada ser humano.
Trata-se do futuro da humanidade. Pelo menos em parte, ela é motivada pela alegria
recém-descoberta em expressar aspirações que penetram no fundo do coração e a partir
daí construir junto com os outros. Este é o seu poder.

“Dizemos que somos seres humanos e não mercadorias nas mãos de políticos ou
banqueiros”.

Este espírito, esta visão se aprofunda. Talvez essa seja a razão por que as pessoas falam
de um despertar. Os movimentos tem o objetivo de mudar o mundo. Mas talvez o
mundo já tenha mudado; e agora é apenas uma questão de trabalhar os detalhes.

Categorias: América do Norte, Internacional, Opinião, Política

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