Oposição jordana exige lei eleitoral democrática e pressa em reformas
A chamada Primavera Árabe continua ativa, apesar do silêncio dos grandes veículos
de imprensa. Multidões estão marchando pelas ruas da Jordânia há três semanas,
pressionando pela Democracia no país controlado por uma antiga monarquia. O
governo apoiado há décadas pelo Ocidente, tem seguido fielmente a norma da
região, postergando e distorcendo as demandas populares.
Ativistas opositores marcharam hoje para exigir uma lei eleitoral democrática e a realização de reformas prometidas pela monarquia da Jordânia, enquanto a polícia ameaça deter e reprimir aqueles que participarem de ações violentas.
Representantes de organizações de esquerda, islamistas e independentes convocaram manifestações multitudinárias em todo o reino hachemita para protestar contra o que descreveram como reticência das autoridades a emitir uma lei eleitoral democrática.
Na terceira semana consecutiva de mobilizações pela controversa legislação, as coalizões opositoras se concentraram no Oitavo Círculo (uma das grandes rotatórias que definem a cidade) de Amã, acampados contra o regulamento e a repressão dos serviços de segurança.
Com o lema “Sexta-feira para a terra jordana”, organizações populares de várias províncias se uniram a grupos gremiais e seguidores da oposição islamista com chamados à unidade para manter vivo o movimento de protestos iniciado há um ano e meio.
Representantes de tribos e políticos independentes também incentivaram mobilizações para acabar com o controverso sistema de “uma pessoa, um voto”, e exigir a demissão do governo, que recentemente elevou os preços do combustível e da eletricidade.
Os organizadores das manifestações asseguraram que milhares de jordanos saíram às ruas para exigir que as autoridades combatam a corrupção e reduzam os preços.
Na província de Irbid, os opositores coordenaram um “dia de ira” também contra o alto custo de vida e a detenção de 14 ativistas que interceptaram ontem uma caravana de automóveis na qual viajava o premiê, Fayez Tarawneh.
A raiz desse incidente, o general Hussein Majali, chefe da polícia jordana, advertiu que não tolerarão distúrbios nem atos de vandalismo, e “enfrentarão firmemente” os ataques a propriedades privadas, uso de bombas Molotov e obstrução do tráfico.
O rei Abdulah II devolveu ao governo e ao parlamento a polêmica lei eleitoral para que seja emendada, em sintonia com exigências opositoras para eliminar o artigo que limita cidadãos a emitirem só um voto por distrito, para que seja também em nível nacional.
A Irmandade Muçulmana, que qualificou de inaceitável as modificações prévias à lei, exige que 50% dos assentos sejam destinados à lista nacional, mas explicou que é insuficiente se persistir a restrição de votar apenas no nível dos distritos.
Em uma versão emendada esta semana, o Executivo não mudou o sistema de uma pessoa, um voto, e aumentou de 17 a 27 o número de assentos na câmara baixa reservados à representação proporcional nacional, equivalente a 18% dos 150 assentos.
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