Agencia Internacional de Noticias Pressenza

22 de febrero de 2012

Cura 11-S: As mães que encontrou perdão e amizade

Phyllis Rodriguez: Estamos aqui hoje devido ao fato de termos o que a maioria das pessoas considera uma amizade incomum. E de fato o é. E ainda assim, ela é natural para nós agora.

Primeiramente eu soube que meu filho esteve no World Trade Center na manhã de 11 de setembro de 2001. Nós não sabíamos se ele tinha perecido até 36 horas depois.

Pressenza Los Angeles, 13/01/12 Na hora, sabíamos que era algo político. Estávamos com medo do que nosso país iria fazer em nome de nossos filhos -- meu marido, Orlando, eu e nossa família. E quando eu vi -- ainda sob choque, o terrível choque, e a terrível explosão em nossas vidas, literalmente, nós não estávamos vingativos. E algumas semanas depois quando Zacharias Moussaoui foi indiciado em seis acusações de conspiração para cometer terrorismo, e o governo dos EUA pediu a pena de morte para ele, caso condenado, meu marido e eu falamos em oposição a isso, publicamente. Através disto e através dos grupos de direitos humanos, nós nos juntamos com muitas outras famílias de vítimas.

Quando vi Aicha na mídia, manifestando-se quando seu filho foi indiciado, e eu pensei, "Que mulher corajosa. Um dia gostaria de conhecer esta mulher quando estiver mais forte." Eu ainda estava em profunda dor; Eu sabia que ainda não teria forças. Eu sabia que a encontraria um dia, ou que encontraríamos uma a outra. Porque, quando as pessoas ouviam que meu filho foi uma vítima, Eu tinha imediata simpatia. Mas quando as pessoas sabiam do que o filho dela foi acusado. ela não tinha essa simpatia. Mas seu sofrimento é igual ao meu.

Então nos conhecemos em novembro de 2002. E Aicha irá contar a vocês agora como isso aconteceu.

(Tradutora) Aicha el-Wafi: Boa tarde, senhoras e senhores. Eu sou a mãe de Zacharias Moussaoui. E eu pedi a Organização de Direitos Humanos para me colocar em contato com parentes das vítimas. Então eles me apresentaram a cinco famílias. E eu vi Phyllis, e eu a observei. Ela era a única mãe no grupo. Os outros eram irmãos, irmãs. E eu vi nos olhos dela que ela era uma mãe, assim como eu. Eu sofri muito como mãe. Casei-me quando tinha 14 anos. Perdi um filho quando tinha 15, um segundo filho quando eu tinha 16. Então a história com Zacharias foi realmente demais. E eu ainda sofro, porque meu filho é como se ele tivesse sido enterrado vivo. Eu sei que ela realmente chorou por seu filho. Mas ela sabe onde ele está. Meu filho, eu não sei onde ele está. Eu não sei se ele está vivo. Eu não sei se ele é torturado. Eu não sei o que aconteceu com ele.

É por isso que decidi contar minha história, para que meu sofrimento seja algo positivo para outras mulheres. Para todas as mulheres, todas as mães que dão a vida, podem dar algo em troca, você pode mudar. É nossa decisão como mulheres, porque somos mulheres, porque amamos nossos filhos. Devemos dar as mãos e fazer algo juntas. Não é algo contra as mulheres, é para nós, nós mulheres, para nossos filhos. Eu falo contra a violência, contra o terrorismo. Eu vou a escolas para falar as jovens, garotas Muçulmanas para que não aceitem se casar contra vontade ainda muito novas. Assim se eu conseguir salvar uma dessas jovens garotas, e evitar que elas se casem e sofram como eu sofri, isso será algo bom. É por isto que estou aqui na sua frente.

PR: Eu gostaria de dizer que aprendi muito com Aicha, a começar com aquele dia em que nos encontramos pela primeira vez com outros membros familiares -- que foi um encontro bem reservado com segurança, porque era novembro 2002, e, francamente, estávamos com medo do super-patriotismo do país naquele período -- aqueles de nós, membros de família. Mas estávamos todos muito nervosos. "Porque ela quer nos encontrar?" E ela também estava nervosa. "Porque iríamos querer encontrá-la?" O que queríamos de cada um? Antes de sabermos os nomes uns dos outros, ou qualquer outra coisa, nós nos abraçamos e choramos. Então sentamos em círculo com apoio, com ajuda, de pessoas experientes nesse tipo de reconciliação. E Aicha começou, e ela disse, "Eu não sei se meu filho é culpado ou inocente, mas eu queria dizer a vocês o quanto sinto pelo que aconteceu com suas famílias. Eu sei o que é sofrer, e sinto que, se existe um crime, a pessoa deve ser julgada justamente e punida." Mas ela chegou até nós dessa maneira. E foi, eu gostaria de dizer, foi o que quebrou o gelo. E o que aconteceu foi, nós todos contamos nossas histórias, e todos nos conectamos enquanto seres humanos. No final da tarde -- era cerca de 3 horas depois do almoço -- sentimos como se nos conhecêssemos desde sempre.

Agora o que aprendi dela, é que é uma mulher, que não apenas pode ser generosa sob as atuais circunstâncias e as que se passaram, e o que foi feito a seu filho, mas a vida que ela teve. Eu nunca conheci alguém com uma vida tão dura, de uma cultura e meio totalmente diferentes dos meus próprios. E eu sinto que nós temos uma conexão especial, que eu valorizo muito. E penso que é tudo sobre ter medo do outro, mas dando esse passo e então percebendo, "Ei, isto não foi tão difícil. Quem mais posso encontrar que não conheço, ou que sou tão diferente de?"

Então, Aicha, você tem algumas palavras para concluir? Porque nosso tempo acabou.

(Risadas)

(Tradutora) AW: Eu gostaria de dizer que devemos tentar conhecer outras pessoas, o outro. Você tem que ser generoso, e seu coração deve ser generoso. sua mente deve ser generosa. Você deve ser tolerante. Você deve lutar contra a violência. E espero que um dia todos possamos viver juntos em paz e respeitando uns aos outros. Isto é o que quero dizer.

(Aplausos)

Video:

http://www.ted.com/talks/lang/es/9_11_healing_the_mothers_who_found_forgiveness_friendship.html

23 de junio de 2012
Parques de Estudio y Reflexión Montecillo
Cochabamba, Bolivia

Pressenza, uma agência de imprensa internacional especializada em notícias sobre paz e não-violência com escritórios em Milão, Roma, Londres, Paris, Nova York, Madri, Buenos Aires, São Paulo, Santiago e Hong Kong. Informe-se de quem somos nós e Coloque-se em contato conosco.

Apoie a nossos parceiros e visite seu sítio web.
Alojamento por cortesia de
Helogo-medium
Agradecemos a nossos patrocinadores
Weber Hardstand